segunda-feira, 21 de julho de 2008

oficina em são paulo!

Fotos da oficina que rolou em São Paulo de construção de materiais para a batucada.























A oficina para preparação dos instrumentos da Fuzarca Feminista é parte da retomada da ofensiva em São Paulo.
Nós já fizemos duas reuniões para dar conta da retomada. Na primeira atualizamos o debate sobre mercantilização. Participaram jovens ativistas da Marcha há algum tempo e outras que estão iniciando a militancia.
Dessa reunião, encaminhamos algumas coisas
A primeira delas é que vamos trabalhar o tema da prostituição. E a gente identificou que, para isso, a gente precisava ir mais atrás de aprofundar o nosso debate e os nossos argumentos contrários à prostituição. Fizemos uma segunda reunião, que teve dois textos de subsídio para o debate da prostituição. Um é o texto publicado no caderno do 1º Encontro da MMM, em 2006. O outro foi um artigo publicado na Folha Feminista, da SOF, chamado "Nem putas nem princesas". Nossa avaliação foi que embora a gente já tenha consenso em torno da crítica à prostituição, para fazer uma ação precisamos ir atrás de mais informações, dos mecanismos existentes, dos dados sobre tráfico de mulheres, do aumento da prostituição nos grandes eventos esportivos com audiencia majoritariamente masculina (Formula 1 e Copa do Mundo), etc. Então, cada uma saiu com a tarefa de buscar essas informações, e vamos fazer uma reunião de trabalho em agosto, para desenhar melhor o sentido da nossa ação contra a prostituição.
O outro encaminhamento da primeira reunião foi a retomada da organização da nossa batucada aqui em São Paulo: a Fuzarca Feminista. A gente tem há algum tempo um problema na batucada em SP: no 8 de março e em algumas outras manifestações, juntamos muitas meninas para batucar, mas não damos continuidades aos ensaios, à organicidade da Batucada. Pra mudar isso, tiramos um grupo de cerca de 10 meninas pra tocar a fuzarca, e a primeira atividade foi essa de confecção dos instrumentos.
O próximo encontro será para retomar os ensaios, concretamente. Vai ser no próximo sábado, dia 26. Assim que a gente marcar o lugar, confirmamos aqui no blog.

E nos outros estados?? Como está a retomada da ofensiva???

sexta-feira, 18 de julho de 2008

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Somos mulheres e não mercadoria!

Texto escrito por Amanda Mendonça, militante da MMM do Rio de Janeiro

Desde a década de 1970 o movimento feminista levanta a bandeira do “nosso corpo nos pertence”. Ela expressa o questionamento das mulheres em relação à sexualidade, à imposição de padrões e em relação à reprodução. Ela representa a autonomia das mulheres sobre seus corpos e suas vidas. E o que temos visto nos últimos anos é que este debate esta cada vez mais atual. No último período, em especial, estamos sofrendo uma série de ataques à nossa autonomia. Estamos vendo o Estado, as igrejas e os homens criarem cada vez mais artifícios para nos “prenderem” em padrões que servem ao mercado.

No Brasil, estes ataques estão cada vez mais intensos, e o exemplo mais recente é o da “guerra” que está sendo travada para tentar criminalizar ainda mais as mulheres que recorrem a um aborto. A mídia, todos os setores conservadores da nossa sociedade e, principalmente, as instituições religiosas têm feito uma verdadeira batalha para nos retirar os pequenos avanços obtidos. Essa ofensiva contra a autonomia de nossos corpos ganhou mais um ator, o Projeto de Lei que visa regulamentar a prostituição em nosso país.

Para além do que o projeto compreende, que de central é regulamentar, não só a prática da prostituição, como também o mercado que se esconde atrás dela temos que avaliar o que ele tem gerado. O debate trazido através deste projeto traz a tona as faces mais cruéis do neoliberalismo aliado ao machismo. E até os setores mais “progressistas” de nossa sociedade não compreendem que o capitalismo se apropria do sexo e mercantiliza até mesmo o desejo.

Quando falamos sobre a prostituição, não podemos deixar de avaliar o papel que a globalização e que o mercado cumprem no incentivo a sua prática. Eles representam hoje um fator central para a prostituição e para o tráfico de mulheres, trabalhando no aumento das desigualdades entre homens e mulheres. As indústrias do sexo (algumas multinacionais) geram lucros estrondosos e receitas importantes. São consideradas vitais para a economia de diversos países. Chegam a representar 5% do PIB dos países baixos e em média 8% do conjunto das atividades econômicas dos países asiáticos. Entre os países mais pobres a questão se agrava, pois o FMI e o Banco Mundial estimulam o desenvolvimento do “turismo” e do “lazer” como forma de reembolso da dívida desses países. Dessa forma, a prostituição passa a fazer parte da estratégia de desenvolvimento destes Estados.

Nesse sentido, legalizar a prostituição, na verdade, significa legalizar uma “indústria” que trabalha na expansão do tráfico de mulheres e que se apóia em uma economia subterrânea (bares, hotéis, agências, clubes). Com a prostituição e o tráfico de mulheres, lucram as companhias aéreas, o turismo e até mesmo os governos. Por isso, precisamos ter a compreensão de que a prostituição representa a mercantilização dos seres humanos e o sexo pago faz parte da estrutura que sustenta o capitalismo.

Assistimos hoje o neoliberalismo se apropriar do nosso discurso para impor sua exploração. Em nome da autonomia, do direito de controlar seu próprio corpo, passou-se a defender a legalização da prostituição. Cada vez mais a indústria do sexo é considerada um trabalho legítimo e, com o triunfo dos valores liberais, o sexo pago vem sendo normatizado. A submissão às regras do mercado e às leis contratuais liberais, além do discurso “de uma profissão como outra qualquer”, ou “é um simples trabalho” e até mesmo “é uma questão de liberdade” vem sendo utilizadas na sustentação desta política liberal. Como um trabalho que se baseia na violação dos direitos humanos e na opressão das mulheres pode ser considerado legítimo???

Outro argumento comumente utilizado é o de que legalizar a prostituição significa melhorar a vida das mulheres que fazem parte desta rede, oferecendo direitos e garantias que todos os trabalhadores possuem. Em primeiro lugar, a legalização representa um ganho de verdade é para o crime organizado, pois o que se normatiza é o mercado, a compra e a venda de mulheres. Mesmo onde é a prostituição é legal (Alemanha, Suíça, Grécia, etc.) o papel do crime organizado continua sendo fundamental na organização deste mercado e uma minoria das prostitutas se registra para ter acesso aos direitos sociais. A maior parte continua sob a “tutela” dos cafetões.

Cada vez que uma menina “escolhe” ser prostituta, como se realmente ela tivesse outra opção, tem atrás de si toda essa rede que engloba cafetões, tráfico, crime organizado e etc. Além disso, pesquisas comprovam que 80% das pessoas prostituídas foram vítimas de algum tipo de violência na juventude, o que contradiz o debate de que seria uma “escolha”. A defesa da legalização da prostituição é liberal, pois é baseada na visão onde o individuo escolhe seu caminho e onde as relações humanas estão submetidas ao dinheiro. A prostituição surge do liberalismo e não da liberdade.

Para nós, feministas e socialistas, é inadmissível que as mulheres sejam reduzidas a mercadoria, podendo ser compradas, trocadas, usadas e alugadas. Temos uma visão libertária de sexualidade, que é baseada na igualdade e não na dominação. A relação de poder é constitutiva da nossa organização social e também está presente no sexo. No sexo pago, essa relação se reproduz com o “comprador” tendo total domínio sobre a “mercadoria”. Essa “coisificação” e a mercatilização das mulheres têm como função a submissão de um sexo à satisfação dos prazeres sexuais do outro. Por isso, lutamos contra a prostituição. Lutar contra é lutar pela igualdade, que só existirá quando homens não puderem mais vender e nem explorar mulheres.

A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria!!!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Construção de instrumentos para a batucada



Para construir os instrumentos que usamos na batucada procure materiais como tambores de plástico, latas de oleo (redondas ou quadradas), latas de leite em pó, cabos de vassoura(para fazer as baquetas), arame ou elástico, fitas, pregos, furadeira, e o que mais puder ser transforamdo em instrumentos.

-tambor
Dá o compasso para o ritmo (grandes tambores de plástico)
1. Corte um lado do tambor, e lave bem por dentro.
2. faça furos do lado fechado do tambor (ilustração 1).
3. Amarre um arame ao redor dos furos e passe pelo arame uma corda ou fita (1,5m), que será o suporte do instrumento.
Esse instrumento é carregado em cima de um ombro.

- latas
(latas médias redondas ou quadradas)
1. Faça furos nos 2 lados da lata (ilustração 1)
2. passe pelos furos uma corda ou fita que servirá como suporte do instrumento (esse instrumento vai ao redor da cintura)

-chocalhos
1. corte no meio qualquer lata ou recipiente pequeno (como latinhas de refrigerante, garrafas plásticas)
2. encha de pedras (não completamente!)
3. feche com fita adesiva

-baquetas
Você pode usar pedaços de cabo de vassoura como baquetas
Pra conseguir um som mais grave nos tambores, enrole pedaços de tecido em volta de ums ponta do cabo de vassoura

Batucada Feminista – ritmos de liberdade

A Batucada Feminista é um grupo de mulheres militantes, feministas, anti-capitalistas e anti-racistas, que no Brasil surge em 2003 como mais um instrumento de luta da Marcha Mundial das Mulheres, e, faz parte das ações contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres. A batucada é um espaço irreverente e permanente de organização. Além de um instrumento utilizado para a discussão política é um instrumento de visibilidade das ações da Marcha, seja no espaço de auto-organização ou nos espaços de militância mista.
A Batucada é também um instrumento de ousadia na construção de novos ritmos, músicas e palavras de ordem a partir do cotidiano da vida e da luta das mulheres e que os retratam, seja na denúncia do machismo ou nas alternativas encontradas pelas mulheres para a construção de um mundo igual.
A Batucada é um espaço onde as mulheres podem criar e recriar. Além da música e dos ritmos militantes, mostramos nossa irreverência e organizamos debates. Discutir os temas globais da sociedade é um instrumento de reconstrução do nosso cotidiano.
Quando tocamos na batucada estamos dizendo que queremos outras práticas e que não aceitamos a cultura musical machista e preconceituosa que ouvimos todos os dias, seja no rádio, nos shows ou nos programas de TV, que utiliza as mulheres como iscas de mercado.
Os instrumentos que utilizamos nas batucadas são feitos prioritariamente de materiais reciclados ou que fazem parte do nosso cotidiano. Tambores de plástico, latas de querosene, latinhas de refrigerante e cerveja, cabos de vassoura, e garrafas plásticas são alguns deles.
Além do debate e alegria que a batucada proporciona, o ritmo ajuda a gerar concentração, unidade e força nos momentos de ação coletiva. Tocar é uma forma direta de ação política, de levar o feminismo para os olhares e ouvidos da rua, expressando nossas lutas ocupando o espaço público. Aprendemos a nos organizarmos e coordenar nossos próprios ritmos de forma criativa e inclusiva. Batucar é divertido, nos faz sentir bem e eleva os espíritos frente à adversidade.
Organizar uma batucada feminista é uma ação militante bem prazerosa e fácil de desenvolver.
Dicas para montar uma batucada:

1º passo – Reunir um grupo de mulheres interessadas nessa idéia.

2º passo - Procurar materiais como tambores de plástico (aqueles que se usa para armazenar água ou colocar lixo), latas de querosene ou óleo (redondas ou quadradas), latas de leite em pó, latinhas de aluminio, cabos de vassoura (para fazer as baquetas), arame, elástico ou liga, fita isolante, prego, furadeira, spray ou outra tinta, cordas, retalhos de tecido e tesoura e o que mais a imaginação pedir para a construção dos instrumentos.

3º passo – Agora é só criar ritmos para a batucada!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Operação Lambe-lambe


- Reúna as companheiras para tomar um guaraná e com alguma criatividade feminista, inventem mensagens e radicais, curtas, diretas, irônicas, raivosas, poéticas, como preferirem.

- Monte um cartaz bem fácil de ler. Com o Word Art do programa Word ou semelhante (se você estiver puder usar um software livre, melhor para todas nós!), crie uma figura para cada linha da mensagem que quiser escrever. Assim pode ajustar o tamanho de cada linha ao tamanho da folha.

- Com frases curtas, é possível criar cartazes de impacto em folhas tamanho A4. Você imprime em qualquer impressora e copia em qualquer máquina de xerox. Papel colorido pode ficar bonito.

- Preparem uma boa cola: para 3 partes de farinha, 1/2 de polvilho e água - adicione aos poucos: se colocar água demais vai ter que ferver muito pra sua cola ficar mais densa. Que seja líquido o suficiente para mexer com uma colher de pau. Misture tudo muito bem e coloque no fogo. Vá mexendo no fogo baixo até o grude ficar mais transparente do que era antes. Vai empelotar tudo, não se desespere: despeje tudo num balde, coloque mais água se for preciso e bata bastante para conseguir uma cola mais homogênea. No final um pouco de vinagre ou desinfetante evita que a cola mofe. Se não usarem farinha transgênica, a cola é totalmente caseira e inofensiva, se lava com água e sabão.

- Organizem-se em equipes de três:
a primeira com um balde cheio de cola numa mão e uma brocha grande na outra.
a segunda com uma bolsa, dessas que a gente ganha no fórum social mundial, cheia de cartazes
a terceira, não menos importante, com olhos e ouvidos atentos.
A primeira passa generosamente uma camada de cola, a segunda afixa o cartaz, a primeira passa cola por cima de novo.
A terceira vai vigiando e prevendo o caminho.

Dois grupos podem seguir pela mesma rua ao alcance da vista umas das outras: dá mais confiança.

Existem basicamente duas formas de fazer a colagem:
Na calada da noite > versão extensiva e anônima: pode ser feita em grandes mutirões, permite cobrir áreas maiores, gerando surpresa no dia seguinte.

À luz do dia > versão intensiva e performática: exige contato direto com as pessoas que estão passando na rua. Nesse caso, é bom ter uma pessoa a mais em cada equipe para ir conversando com quem se aproximar e possivelmente um panfleto informativo para distribuir.


É simples, não requer prática ou habilidade e dá o que falar.
Vamos pra rua?