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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pela vida das mulheres!

 Após longos anos de debate, no dia 11 de abril, próxima quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal julgará a interrupção de gestação no caso de fetos anencéfalos. A ação foi proposta em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS). A tendência é que o STF aprove e acreditamos que será um passo importante no sentido de consolidar o argumento de que a decisão sobre uma gravidez indesejada deve ser um direito das mulheres.

Durante essa semana, queremos novamente chamar a atenção sobre as repercussões da criminalização do aborto. Sabemos que apenas penaliza as mulheres e favorece a lucratividade das clínicas clandestinas e o tráfico de drogas ilegais (hoje o misoprostol é o principal método abortivo e é comercializado em associação com diversas outras medicações e drogas ilegais). Ser contrário à legalização do aborto hoje significa favorecer esse mercado que constrói um padrão de insegurança médica e psicológica a vida das mulheres.

Hoje, a opção de diminuir a mortalidade materna e assegurar o direito a saúde das mulheres significa necessariamente defender a legalização do aborto. Nesse sentido, faremos dois "tuitaços" em defesa do direito das mulheres decidirem sobre seus corpos.

Vamos tuitar?
10/04, 18h - tag #afavordavidadasmulheres (mencionando também @STF_oficial)
11/04, durante todo o dia, concentração 12h e 19h - tag #legalizaroaborto (mencionando também @STF_oficial)
12/04, 14h - tag #afavordavidadasmulheres


Marcha Mundial das Mulheres
Mulheres na UNE
Fuzarca Feminista

sábado, 26 de novembro de 2011

Encontro Internacional da MMM: manifestação púbica marca último dia!*


O último dia do Encontro começou cedo. Às 6h da manhã já estávamos todas prontas esperando o transporte coletivo para nos levar até o centro de Manila,
Foto de Raquel Duarte
Chegando lá, fomos recepcionadas por centenas de mulheres que se juntaram ao ato público. O tema principal da manifestação foi pela garantia dos direitos sexuais e reprodutivos nas filipinas. As mulheres pediam pela descriminalização e legalização do aborto, por direito ao planejamento familiar, e pelo fim de toda forma de discriminação contra as mulheres.
Cerca de 500 pessoas, fecharam as ruas, e em cerca de 40 minutos de caminhada mostraram à população filipina toda a solidariedade das mulheres do mundo. Através de gritos de ordem, nossas principais bandeiras foram expandidas:
“A violência contra a mulher, não é o mundo que a gente quer”; “Se o papa fosse mulher, o aborto seria legal, seria legal e seguro...”, “Somos mulheres, feministas, anticapitalistas!, "So-so-so-Solidarité, avec les femmes, du monde entier”, entre muitas outras canções e gritos de ordem.

Fórum de debate

De tarde, o Encontro propiciou um interessante espaço de debates com a população. A atividade aconteceu na Universidade das Filipinas, e contou com duas mesas de debates.
Sob o tema de “paz, desmilitarização e erradicação da violência contra as mulheres”, a primeira mesa contou com a participação de Adèle Safi Kagarabi (MMM/República Democrática do Congo), Liza Gonzales e Virgínia Soares-Pinlac (MMM/Filipinas), Ida Zubaidah (Via Campesina/Indonésia), Khitam Khatib (União das Mulheres Palestinas).
Cada uma contou sobre a realidade de seu país e como a militarização interfere diretamente na vida das mulheres. Falaram sobre a dominação dos corpos das mulheres como território de guerra, sobre estupros em massa, contaminação da população por doenças sexuais transmissíveis.
A segunda mesa, teve o tema de “Igualdade de genro e acesso aos bens comuns” tendo como debatedoras: Gina Lyn e Mary de los Santos (Filipinas), Emilia Castro (MMM/Quebec), Judite Canha Fernandes (MMM/Portugal), Wilhelmina Trout (MMM/África do Sul).
Todas as companheiras, desde a África até a Europa, explanaram sobre a privatização dos bens comuns, especialmente agora em tempos de crise econômica, e o efeito sobre a vida das mulheres.
Ao final, todas clamaram em forma de grito de ordem: “Quando se fere uma mulher, se fere todas as mulheres!”. Demonstra a unidade do nosso movimento, e afirmação do lema: SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRE!!!
 
Em tempo: O transporte público de Filipinas é particularmente curioso. Os carros japoneses utilizados no país durante a segunda guerra mundial foram adaptados e hoje se transformaram em transporte coletivo. Desde então, os tradicionais JEEPs deixaram de servir a guerra e passaram a servir a população.
*Por Conceição Dantas e Raquel Duarte- militantes da MMM/Brasil

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Somos todas clandestinas!

Em todos os lugares, de várias idades, com seus sorrisos e choros, olhares de medo, muito mais do que se imagina, mulheres, muitas, optam por interromper uma gravidez indesejada, todos os dias.
Tudo bem, esse assunto não é novo, sabemos que podemos formar uma rede atemporal e que essa decisão estará presente, nem precisamos nos preocupar com o tempo verbal. A configuração desse tema em determinado contexto, sim, sempre é uma questão, polêmica, diga-se de passagem.  Mas podemos dizer seguramente que trata-se de um elo resistente das mulheres, sua clandestinidade (assumida).  
Não nos importam os motivos, as razões dessa opção. Na realidade, eles não importam para ninguém.  Da minha parte, digo que não importa, pois as mulheres fazem suas opções com bastante ponderação e reflexão. O corpo é das mulheres e cabe a elas a decisão sobre uma – possível – gestação. Trata-se de uma decisão individual.   
Eu sei que é um argumento pouco palatável.  Primeiro, “razão” e “escolha” são palavras historicamente retiradas da lingüística das mulheres. Embora, obviamente, façam parte da vida das mulheres. Em outro lado, mas complementando-se, espera-se da “verdadeira mulher” a dedicação e negação de sua individualidade.   
Afinal, parece que tudo relacionado ao cuidado e a reprodução são tarefas inerentemente femininas. Sempre foi assim...  Desde crianças elas recebem “presentes” , “conselhos”, “educação”, “desenhos”  que minuciosamente configuram um formato sobre “feminilidade”. Em muitos momentos, inclusive, tentou-se – e tenta-se -  relacionar essas características aos hormônios ou a uma “natureza”. Inclusive, sempre me perguntei “que natureza é essa? Tão distante de mim mesma? Tão insensível aos meus desejos?”.   Mas sabemos que essa naturalização é conto para fazer as mulheres dormirem.  De fato, no entanto, o que as mulheres dizem, o que suas vozes “clandestinas” altas e rítmicas bradam é outra tema. Sua clandestinidade guarda o sentido e o desejo de sua autonomia.
A opção pelo aborto é marcada por conflitos, por dúvidas, por medos. É perigosa. Ela é a resenha das recusas impostas, das negações, do excesso de responsabilidades e das imposições cotidianas.  A corrida pelos métodos anticoncepcionais, nunca 100% eficazes, mas sempre responsabilidade feminina. O destino à maternidade para a configuração do feminino. Meiguice, gentileza, cuidado, atenção, respeito, docialidade, silêncio, compreensão, escuta, amor, carinho. Tantas outras palavras formatadoras de um ser que vive para o outro.  Nesse sentido, não poderia deixar de destacar, a abstenção, que seguramente é uma das características mais exaltadas na “verdadeira mulher”.
O aborto incomoda tanto e é exatamente a negação da abstenção. Ele é negado, vetado, impedido, proibido às mulheres, mas é silenciosamente praticado. A clandestinidade assegura o direito ao silêncio, assegura a recusa às satisfações e justificações. Inclusive, medidas exigidas cotidianamente às mulheres, por outros tantos – todos – motivos.    
As mulheres dizem “não” cotidianamente a esse destino fantasmagórico que lhe é imposto, dizem “não” a negação de sua individualidade. Dizem sim ao seu desejo e a construção de suas vidas. Diante do medo, do receio, de todas as negações, elas optam por viver.
O aborto continua criminalizado no Brasil, mas isso não impede sua realização. Não impede que as milhares de clandestinas resistam e lancem suas vozes de liberdade. Mas causam muito medo, dor e sofrimento. Exatamente por isso permanece atual a centralidade da defesa da legalização do aborto, um direito à vida das mulheres, um direito à autonomia, um direito à escolha! 

*Por Ana Cristina Pimentel, militante da MMM de Juiz de Fora/MG e secretária da Juventude do PT de Minas Gerais.