segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pela vida das mulheres!

 Após longos anos de debate, no dia 11 de abril, próxima quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal julgará a interrupção de gestação no caso de fetos anencéfalos. A ação foi proposta em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS). A tendência é que o STF aprove e acreditamos que será um passo importante no sentido de consolidar o argumento de que a decisão sobre uma gravidez indesejada deve ser um direito das mulheres.

Durante essa semana, queremos novamente chamar a atenção sobre as repercussões da criminalização do aborto. Sabemos que apenas penaliza as mulheres e favorece a lucratividade das clínicas clandestinas e o tráfico de drogas ilegais (hoje o misoprostol é o principal método abortivo e é comercializado em associação com diversas outras medicações e drogas ilegais). Ser contrário à legalização do aborto hoje significa favorecer esse mercado que constrói um padrão de insegurança médica e psicológica a vida das mulheres.

Hoje, a opção de diminuir a mortalidade materna e assegurar o direito a saúde das mulheres significa necessariamente defender a legalização do aborto. Nesse sentido, faremos dois "tuitaços" em defesa do direito das mulheres decidirem sobre seus corpos.

Vamos tuitar?
10/04, 18h - tag #afavordavidadasmulheres (mencionando também @STF_oficial)
11/04, durante todo o dia, concentração 12h e 19h - tag #legalizaroaborto (mencionando também @STF_oficial)
12/04, 14h - tag #afavordavidadasmulheres


Marcha Mundial das Mulheres
Mulheres na UNE
Fuzarca Feminista

domingo, 1 de abril de 2012

Nota em repudio à absolvição do estupro de mulheres adolescentes de 12 anos


Na última terça-feira, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) divulgou a absolvição de um homem acusado de estuprar três meninas de 12 anos. Com isso, o tribunal estabeleceu que a presunção de violência contra menor de 14 anos em estupro é relativa. Em resposta a essa decisão a Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República publicou uma nota em que afirma entender que os Direitos Humanos, das mulheres, crianças e adolescentes jamais podem ser relativizados.
O argumento usado pelo juiz de primeira instância e depois confirmado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e pela Terceira Turma do STJ é de que as meninas se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data. O jornalista Pedro Pinto de oliveira, do jornal CenárioMT escreveu indignado sobre o ocorridoo STJ condenou as milhares de meninas brasileiras que vivem na prostituição. Como são exploradas no mercado da prostituição não merecem julgamento igual ao de meninasingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo. São culpadas por sua condição. São culpadas por serem vítimas da exploração sexual de menores.
A partir do exposto, incorporamos esse debate à luta feminista uma vez que caracterizamos a prostituição como uma violência contra a mulher, uma violência que mercantiliza a vida e o corpo das mulheres. E que se torna ainda mais inaceitável quando se pensa na múltipla vulnerabilidade social a que essas meninas foram submetidas, por serem mulheres e por serem cerceadas de decidir sobre suas vidas quando o crime aconteceu. A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, classificou comoinaceitávelo acórdão do TJ-SP, posteriormente confirmado pelo STJ e considerou inaceitável que as próprias vítimas sejam responsabilizadas pela situação de vulnerabilidade que se encontram.
Gilmara apolinário Reis
Militante da Marcha Mundial das Mulheres no Tocantins, Kizomba Lilás, e do Partido dos Trabalhadores.

terça-feira, 6 de março de 2012

CINECLUBE ESPECIAL DO DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS MULHERES

O CINECLUBE DA OCUPAÇÃO SÃO JOÃO (SP) TERÁ UMA SESSÃO ESPECIAL DO DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS MULHERES NO DIA 7 DE MARÇO!




O Cineclube da Ocupação São João em SP exibirá o documentário "Seguiremos em Marcha Até que Todas Sejamos Livres" (Aline Sasahara, 2010), além do documentário "Todas as Mulheres do Mundo" (Fernando Knup, 2011), a partir das 19h30 na Av. São João, Nº 588 Centro (Próximo a Galeria Olido). 

"Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres", Aline Sasahara, Brasil, 2010: Traz os dez dias da marcha que marcou a realização da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil. O filme, dirigido pela documentarista Aline Sasahara, tem duração de 40 minutos e mostra as mais de duas mil mulheres que, vindas de todos os estados do Brasil, realizaram a caminhada entre as cidades de Campinas e São Paulo, de 8 a 18 de março de 2010.


"Todas as Mulheres do Mundo", Fernando Knup, Brasil, 2011: A partir da narração de sua própria história, as mulheres contam como e porque ocupam prédios abandonados na cidade de São Paulo. Produzido de forma colaborativa durante o ano de 2011, "Todas as Mulheres do Mundo" tenta dar voz à essas pessoas (sobretudo as Mulheres), vítimas de séculos de exclusão que, as vezes sem perceber, escancaram a questão da moradia nesse território geográfico conhecido como São Paulo. Com luta, garra, vitórias e derrotas essas mulheres vivem suas vidas, criam suas famílias e convivem com o descaso e a omissão do Poder Público.

Serviço: 
Cineclube Ocupação São João
Horário: a partir das 19h30
Local: Av. São João, Nº 588 Centro, SP (Próximo a Galeria Olido). 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Olga Benário: Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo *

E no mês de fevereiro, a memória é em torno da comunista Olga Gutmann Benário nascida em 1908 na cidade alemã Munique. Sua história de vida é cruzada pela história política da Alemanha e do Brasil, países em que morou durante anos. Sua coragem e dedicação pelo justo, pelo bom e pelo melhor no mundo até hoje são recordados como exemplos e inspirações.
A judia, nascida numa família de classe média alta, recebia diariamente em sua casa na Alemanha uma presença especial como costuma brincar: a luta de classes. Seu pai, advogado e social – democrata (mas diferenciado, segundo Olga) era visitado por trabalhadores que pretendiam fazer demandas judiais contra os patrões. Já sua mãe, uma elegante dama da alta sociedade, via com o horror o comunismo.
Aos 15 anos, a alemã ingressa na militância política, através da organização juvenil do Partido Comunista Alemão (KPD), a Liga Juvenil Comunista da Alemanha (KJVD). Anos mais tarde junto do seu então namorado Otto Braun, também militante comunista, muda-se para Berlin onde se torna secretária de Agitação e Propaganda da Juventude do PC alemão. Suas intervenções eram sempre marcadas pela criatividade e diversidade de idéias para burlar a repressão policial, num período marcado pela disputa política entre o Partido Comunista Alemão e o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, ou simplesmente, o Partido Nazista.
Quando recebia tarefas secundárias, Olga resmungava e já denunciava que o trabalho auxiliar era delegado em função de ser mulher. Sua formação intelectual e independência também chamavam a atenção. Quanto Otto a pede em casamento, Olga nega, pois o casamento para ela representava a dependência econômica da mulher.
Ainda em Berlin, Olga é presa e ao ser libertada parte para a União Soviética. Lá passa a ser considerada importante quadro da Terceira Internacional Comunista. Em 1934, a alemã recebe a importante tarefa de participar da realização de uma Revolução Comunista no Brasil. Olga é convidada pelo IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho, órgão do serviço secreto militar da União Soviética, para acompanhar, na condição de segurança pessoal, o líder comunista Luis Carlos Prestes, que posteriormente venho a ser seu companheiro.
No Brasil, junto de Prestes e de tantas outras mulheres e homens que lutaram nas frentes de resistência ao autoritarismo do governo Vargas, organiza a Intentona Comunista. No entanto, o levante fracassa e o casal é obrigado a viver na clandestinidade. Em março de 1936 são capturados pela polícia, e Olga por ser judia, é entregue logo depois ao regime nazista de Hitler por Getúlio Vargas, grávida de sete meses. Nem mesmo os protestos pela sua libertação e a violação do Direito Marítimo internacional, por estar grávida, foram suficientes para impedir sua extradição.
Em solo alemão, é levada para Barnimstrasse, a temida prisão de mulheres da Gestapo, local em que teve sua primeira e única filha, Anita Leocádia. Em 1942, a marcante líder é enviada ao campo de extermínio de Bernburg, onde foi executada numa câmara de gás.
Um dia antes da sua morte em viagem a Bernburg, Olga escreve sua última carta marcada por ternas e esperançosas palavras para sua filha e Luis Carlos Prestes:

(...) Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijos, pela última vez.

Olga Benário, presente na caminhada!
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MORAIS, Fernando. Olga. São Paulo: Alfa-Ômega, 1985

* Por Paula Cervelin Grassi - militante Marcha Mundial das Mulheres/RS

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bloco Adeus Amélia! Feminismo no pré carnaval em São Paulo!

O bloco feminista ‘Adeus Amélia’ vai para as ruas de São Paulo mais uma vez.

Este ano, sairemos nas vésperas do carnaval, no dia 17 de fevereiro.
A concentração está marcada para as 17h30, na Praça da Sé.

Vamos ensaiando a letra:

ADEUS AMÉLIA
Amélia não existe mais
O mundo mudou meu amor
Não queira que eu me sinta ela
Adeus, adeus, Amélia.
(bis)
Amélia a mulher de verdade
Não cabe na nossa realidade
Hoje nós somos inteiras
E não pela metade
O universo mudou de repente
Não insista que eu seja ela
O mundo mudou fortemente
Adeus, adeus, Amélia.
Eu também mudei meu amor
E não me venha com xurumelas
Hoje é uma realidade
Adeus, adeus, Amélia.
João, João, cozinha o teu feijão!
José, José, faça seu café!
Zeca, Zeca, lava tua cueca!
Torquato, Torquato, lava o teu prato!
Porfírio, Porfírio, cuida dos teus filhos!

Letra: Aida – Música: Ana Célia


- > O bloco Adeus Amélia é original de Fortaleza,  e saiu pela primeira vez em São Paulo, no 8 de março de 2011.