terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tudo numa coisa só!

Fuzarca Feminista no show do Teatro Mágico!

No último dia 12, depois da Plenária da MMM São Paulo, a Fuzarca foi para uma tarefa inédita: uma intervenção no show do Teatro Mágico.
O Teatro Mágico é um grupo de música independente, que defende a música livre do monopólio das gravadoras.
E uma das integrantes do Teatro Mágico, a Gabi Veiga, que também é ambientalista, participou do lançamento da ação de 2010 em São Paulo e disse que vai marchar com a gente em 2010. Logo surgiu a idéia de aproveitar o show do 6º aniversário do Teatro Mágico em São Paulo pra uma intervenção da Fuzarca, que também apresentasse a Marcha Mundial das Mulheres e a ação de 2010.
Além de ter músicas bem boas, defender a cultura livre e ser um show cheio de performance, o Teatro Mágico tem cada vez mais essa característica de encampar bandeiras, como a defesa do meio ambiente e a democratização da comunicação. Assumindo a luta contra o machismo, o Teatro Mágico se mostra um grande aliado do feminismo e leva o recado pra milhares de fãs em todo o Brasil.
Em um só movimento, amplia a luta por liberdade: na cultura, na música, na comunicação e na vida das mulheres!

Nós aproveitamos pra passar nosso recado, distribuir nosso jornal da ação de 2010 e pra curtir um monte o show =)

Vocês sabem que a fuzarca feminista se define como “as desobedientes do ritmo”! Desobedecemos a nossa própria definição, porque ficou lindo e ritmado!
Vejam o vídeo!
Somos mulheres e não mercadoria!

ps - como eu não sei colocar vídeo aqui, vejam o vídeo direto clicando nesse link: http://oteatromagico.mus.br/wordpress/blog/2009/12/13/aniversario-6-anos-do-teatro-magico-e-fuzarca-feminista/

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Nosso corpo. Nossa autonomia.

Cerca de 200 mulheres participaram da Assembleia da Frente Nacional Pelo Fim da Criminalização das Mulheres e Pela Legalização do Aborto, que ocorreu esta semana em São Paulo. Participaram feministas históricas e muitas novas militantes da causa. Do Pará, participaram Tatiana (MMM) e Lucinha (FMAP).

Os estados fizeram relatos das lutas e realidades locais relativas a legalização do aborto. Várias estratégias foram traçadas a fim de fortalecer a Frente e realizar seu lançamento onde ainda está faltando, além de ampliar o número de entidades e pessoas envolvidas nessa articulação.

A fala das participantes foi unânime: o que está em jogo é autonomia das mulheres sobre seus corpos e suas vidas. Temos o direito de decidir sobre nossos destinos.

Veja as fotos de Cláudia Prates (MMM-RS) e leia aqui a Declaração Final da Assembleia (que terminou com a Batucada da Marcha!).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

LITERATURA

CONCURSO LITERÁRIO DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES E UERN TEM INSCRIÇÕES ABERTAS ATÉ DIA 17

O Concurso de Poesia "Mulher, Feminismo e Poesia", promovido pela Marcha Mundial das Mulheres em parceria com a Faculdade de Letras e Artes (FALA), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) está com as inscrições abertas até o dia 17 de dezembro.

As inscrições podem ser feitas na FALA, Campus Central, de forma gratuita, bastando levar um quilo de alimento não-perecível. O concurso é aberto a estudantes de Universidades locais e Institutos Federais. Cada participante pode inscrever até dois poemas de temática livre.

PRÊMIOS - O concurso premiará até a terceira colocação. A candidata classificada em primeiro lugar receberá R$ 150,00 (em livros) e uma homenagem da Marcha Mundial das Mulheres; em segundo R$ 100,00 (em livros) e uma homenagem e em terceiro, R$ 50,00 (em livros) e uma homenagem da Marcha Mundial das Mulheres.

Mais informações:

Centro Feminista: 3316-1537
Secretaria da FALA - 3315 2214

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Moção de repúdio a criminalização das mulheres que fazem aborto


Nós, participantes de sociedade civil organizada na 1ª. Conferência Paulista de Comunicação, realizada na cidade de São Paulo, no período de 20 a 22 de novembro de 2009, repudiamos veementemente a forma criminalizante em que a Televisão em geral e a Rede Globo em particular vem tratando as mulheres que recorrem ao aborto para interromper uma gravidez indesejada. O exemplo mais recente ocorreu na novela Viver a Vida da rede Globo, em que a personagem da artista negra Thaís Araújo é insistentemente criminalizada por ter praticado o aborto.

A personagem vem sendo constantemente acusada de “assassina” pela prática do aborto realizado no início da carreira de modelo, em sua adolescência.

No Brasil, o aborto é considerado crime pelo código penal de 1940, sendo permitido no caso de gravidez por estupro e no caso de colocar em risco a vida da gestante.

Entretanto, o aborto é praticado na clandestinidade (cerca de 1 milhão por ano), nas mais diversas condições, colocando em risco a vida principalmente das mulheres pobres.

A rede Globo vem reafirmando uma postura cristalizada na emissora, no sentido de invalidar a luta por direitos sexuais e reprodutivos, historicamente construída pelo Movimento de Mulheres e pelo Movimento Feminista.

Essa postura fundamentalista que se ancora nos dogmas da Igreja Católica, influenciou a decisão de criminalização de cerca de 10 mil mulheres no Mato Grosso do Sul, neste ano.

Exigimos que a emissora retome a temática na mesma novela, trazendo à tona o posicionamento dessa ampla camada de mulheres brasileira que encara o aborto como um direito da mulher e uma questão de saúde pública.

São Paulo, 22 de novembro de 2009.

1ª Conferencia Paulista de Comunicação

Partipação das mulheres cresce. Pouco, mas cresce.

O cruzamento dos dados das eleições de 2008 com os dados das eleições de 2004 indica que:
a) de 5.557 prefeitos eleitos em 2004, 5.141 são homens e 415, mulheres;
b) de 5.546 prefeitos eleitos em 2008, 5.042 são homens e 504, mulheres;
c) de 51.902 vereadores eleitos em 2004, 45.252 são homens e 6650, mulheres;
d) de 51.920 vereadores eleitos em 2008, 45.415 são homens e 6505, mulheres.
Houve, portanto, aumento do índice de prefeitas de 7,48% para 9,08%; decréscimo de prefeitos de 92,6% para 90,92%; variação do índice de vereadoras de 12,62% para 12,52% e dos vereadores de 87,38% para 87,48%.

FONSECA-SILVA, Maria da Conceição; SILVA, Edvania Gomes da. MULHER E PODER POLÍTICO: UMA ANÁLISE DA MEMÓRIA DISCURSIVA E DA VISIBILIDADE MIDIÁTICA .

Veja mais aqui

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais mulheres em Marcha no Pará

No último sábado, dia 28/11, fizemos nossa plenária. Participaram mulheres estudantes, comunitárias, sindicalistas urbanas e rurais. Todas lideranças em seus movimentos.
Para saber mais, visite mulheresemmarcha.blogspot.com

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Pará, participe da nossa plenária!




Já estamos trabalhando para levar uma delegação paraense à Campinas. Participe de nossas ações. Venha para plenária da Marcha.

PLENÁRIA SOBRE AÇÃO DE 2010 - MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES
Dia: 28/11/2009 (sábado)
Hora: 15h
Local: Sindicato dos Bancários do Pará e Amapá (Rua 28 de Setembro, Nº 1210 - entre Doca e Quintino)

Informações:
91 81196110 (Tatiana) ou 91 82537009 (Gisele)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Lançamento 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

A Terceira Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil, acontecerá entre os dias 8 e 18 de março 2010 e será estruturada no formato de uma marcha, que vai percorrer o trajeto entre Campinas e São Paulo, com 3 mil mulheres organizadas em delegações de todos os estados. Será uma grande ação de denúncia, reivindicação e formação, que pretende dar visibilidade a luta feminista contra o capitalismo e em favor da solidariedade internacional, além de buscar transformações reais para a vida das mulheres brasileiras.




Lançamento da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres
Dia 26 de novembro de 2009, às 18h30, na Câmara Municipal de São Paulo
Local: Viaduto Jacareí, 100 – Salão Nobre


PROGRAMAÇÃO:
Mística
Exibição do vídeo: "Lançamento da Carta das Mulheres para a Humanidade"
Porque as mulheres marcham no Brasil e Mundo.
2010 - 100 anos da proposição do 8 de março: a Luta e auto-organizaçao das mulheres operárias.
Convite a fala das organizações parceiras
Música

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Nota de repúdio à Semana da Mulher, organizada pelo DCE PUC Minas


O Coletivo de Mulheres da PUC Minas vem a público repudiar as atividades da “Semana da Mulher” organizadas pela gestão do DCE “Voz dos Estudantes”. De 16 a 18 de novembro acontecem no campus Coração Eucarístico da PUC Minas oficinas de moda, beleza e emagrecimento destinadas, principalmente, às mulheres estudantes e patrocinadas por empresas de cosméticos, salões de beleza, academias entre outros.

Essa iniciativa reforça a imposição de padrões de beleza e de comportamento às mulheres, tolhendo sua autonomia, desrespeitando sua diversidade e tratando o corpo e vida das mulheres como mercadoria.

Sabemos que são esses padrões, estimulados por atividades como essa, que reforçam o uso indiscriminado de remédios para emagrecer, o grande número de cirurgias plásticas e as doenças relacionadas a distúrbios alimentares.

Por outro lado as empresas farmacêuticas e cosméticas lucram cada dia mais com a reprodução desses padrões e ajudam a colocar as mulheres em situação de permanente insegurança com relação ao seu próprio corpo.

O DCE deveria ser a entidade que promove o debate sobre essas questões e luta pelo combate a todo o tipo de opressão e não que constrói atividades patrocinadas por empresas, com intuito de fazer propaganda, que reproduz imagens estereotipadas das mulheres e reforça um movimento estudantil acrítico e descompromissado.


Assinado
Coletivo de Mulheres PUC Minas
Marcha Mundial das Mulheres
União Estadual dos Estudantes de
Minas Gerais (UEE-MG)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Seminário da Marcha no DF!

Eu ouvi, eu falei

essa idéia surgiu de uma formação feminista com as jovens lá na sof.

todas nós já passamos por alguma situação parecida. a gente tá andando pra escola, pro trabalho, pra padaria, pra casa, enfim, andando na rua e ouve uma cantada: "ô lá em casa, hein" "que delicia" "gostosa" "hummmm"
eles mudam o tom de voz, pra ficar bem nojento.
eles fazem de um jeito que definitivamente mostra que eles fazem isso porque podem. na nossa sociedade machista é assim: as mulheres ocupam o espaço público e ouvem coisas que reafirmam que aquele não é o lugar delas.
ahan. uma "cantada" grosseira e ofensiva quer dizer isso também.
você é bonita,sim! mas o rapaz não olhou pra vc e te achou bonita. ele só viu que você é uma mulher, e que no mundo é assim: ele tem o direito de lançar um "gostosa".
você tá de calça de moleton, meia e chinelo.
você tá com a roupa que você vai pro trabalho ou pra escola.
não importa, você tá lá, na rua.
ele pode mexer com você.

mas aí na hora você fica com raiva e não consegue responder.
normalmente lançamos um "vai se f***" ou coisas do gênero.
mas se a idéia é constranger de volta, mostrar pro rapaz e pra quem mais estiver em volta que você não gostou, que ele não tem esse direito, então é melhor ter um repertório de respostas.

a idéia de fazer isso aqui surgiu numa formação feminista com as jovens lá na sof.
é simples: EU OUVI - EU FALEI
é só escrever o que ouviu, e o que você respondeu.
pode contar o contexto, e a reação das pessoas.
ajuda a lembrar que o machismo não é uma coisa individual, mas que todas nós estamos submetidas a ele.
e é bom pra inspirar outras meninas, porque infelizmente isso vai continuar acontecendo nas nossas vidas por um tempo =/

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UNE e DCE da UFRGS prestam solidariedade ao caso da estudante expulsa

O movimento estudantil da UFRGS deu uma pausa nas eleições para o DCE e realizou no final do debate entre as chapas concorrentes, na manhã desta segunda-feira, um protesto unificado saindo da FACED (faculdade de educação) até a frente a Reitoria da UFRGS e depois seguindo para o RU, para manifestar solidariedade a estudante de Turismo Geisy Villa Nova Arruda, expulsa ontem da UNIBAN (Campinhas, São Paulo) e solicitando a manifestação de repúdio da reitoria da UFRGS.

Geisi foi expulsa depois de ter "causado" involuntariamente uma grande confusão que repercute os noticiários em todo o Brasil e na internet há pelo menos duas semanas. O motivo: foi à aula de mini-saia e acabou gerando protestos e agressões verbais que tomaram conta dos corredores da universidade, tendo saído de sua sala de aula escoltada pela polícia. As imagens gravadas pelos celulares e postadas no YouTube não deixam dúvidas de que o ambiente parecia o mesmo da época da inquisição, na Idade Média, e deixam evidente o linchamento moral por parte de seus colegas que teriam partido para agressão física caso não houvesse a presença dos seguranças e policiais.

A estudante de Ciências Sociais/UFRGS, Luiza Almeida, membro de uma das chapas que concorrem ao DCE, disse que a Diretoria de Mulheres da UNE tem toda razão na nota encaminhada à UNIBAN, que por sua vez preferiu tratar o caso com um viés conservador e machista, dizendo em nota aos jornais que "a expulsão se dá em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade". Para Luiza, "a UFRGS precisa se manifestar contra qualquer ato de opressão e machismo, seja onde for". Segundo ela, as mulheres sofrem com essas opressões diariamente quando são tratadas como mercadoria e quando são julgadas pela roupa que usam.

Os estudantes foram recebidos pelo Secretário de Assuntos Estudantis, Edilson Navarro, que enfatizou "ao longo de seus 75 anos a UFRGS se orgulha de nunca ter tido uma posição machista ou opressora e que as providências para o caso da UNIBAN devem ser tomadas".

Agora, o movimento vai ao CONSUN (Conselho Universitário), encaminhar uma nota de repúdio a ser aprovada pelos conselheiros.

Esperamos que estudantes brasileiros não voltem a protagonizar ações deste tipo, mas sim direcionar o conhecimento para ações de respeito às diferenças e combate às opressões.

Vamos à luta!!!

(texto escrito por Márcio Duarte, da UFRGS)

domingo, 8 de novembro de 2009

Manifestação contra violência sexista na Uniban

O Movimento Feminista, Sindical e Estudantil convocam um ato contra a violência sexista ocorrida na UNIBAN, que neste momento tem como agravante a expulsão da aluna que recentemente sofreu violência. Ou seja: a vítima foi transformada em ré, os agressores impunes. Com esta conduta, a UNIBAN banaliza, estimula e justifica a violência contra a Mulher.

NÃO podemos nos calar!

ATO segunda-feira, às 18 horas, em frente à UNIBAN São Bernardo do Campo.

A Fuzarca Feminista estará presente! Leve batuque e palavras de ordens contra o machismo!


Endereço: Avenida Rudge Ramos, 1501 - fica no KM 12 da Rodovia Anchieta. Para quem sai de São Paulo é necessário fazer o retorno.
São Bernardo do Campo

Somos mulheres não mercadoria!

UNE - Nota de repúdio à violência sexista na Uniban

Nós, mulheres estudantes brasileiras, vimos a público repudiar todas as forma de opressão e violência contra as mulheres. No dia 22 de outubro deste ano, uma aluna da Uniban (campus ABC – São Paulo), com a falsa justificativa de ter ido à aula de "vestido curto", é seguida, encurralada, xingada e agredida por seus "colegas estudantes".

A cena de horror é filmada, encaminhada à internet e vira notícia por todo o país. Não aceitaremos que casos de machismo como esse passem despercebidos ou que se tornem notícia despolitizada nos meios de comunicação. O fato em questão revela a opressão que as mulheres sofrem cotidianamente, ao serem consideradas mercadoria e tratadas como se estivessem sempre disponíveis para cantadas e para o sexo. Não toleramos comentários que digam que a estudante "deu motivo" para ser agredida. Nenhuma mulher deve ser vítima de violência, nem por conta da roupa que usa nem por qualquer outra condição. Nada justifica a violência contra a mulher.

Sendo assim, nós, mulheres estudantes brasileiras, organizadas na luta pelo fim do machismo, racismo e homofobia, denunciamos a violência sexista ocorrida contra a aluna da Uniban, nos solidarizamos com as mulheres vitimizadas por esses crimes e queremos punição a todos os agressores envolvidos nesse episódio e em outros tantos que acontecem e não repercutem na mídia.

Não vamos nos calar perante o machismo e a violência.

Somos Mulheres e não Mercadoria!

União Nacional dos Estudantes

Diretoria de Mulheres

domingo, 1 de novembro de 2009



Meninas!

Realizamos no dia 30 de Outubro, nosso I Bruxó para as ações de 2010. Foi um sucesso! Além de estarmos reunidas com amigas e amigos da MMM, conseguimos vender um bom número de roupas doadas e bebidas! Foi muita animada nossa festa! Breve postaremos algumas fotos e divulgaremos mais atividades!
Sucesso para todas nós!
Abraços!

Comitê MMM/CE

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Bruxas em Festa!!!



Além de ser uma ótima ocasião para nos encontrarmos e curtirmos uma boa música regada a muita cerveja gelada e bom papo com pessoas interessantes, é uma oportunidade de vocês contribuirem com a Ação 2010 da Marcha Mundial das Mulheres, que motivou a realização desse evento.

Aqui no Brasil, as mulheres da MMM vão marchar de 8 a 18 de março, entre Campinas e São Paulo, denunciando a exploração capitalista da mão de obra feminina e as diversas formas de opressão e violência sofridas pelas mulheres em todo o mundo.

A festa de sábado é para arrecadar fundos para bancar a ida de uma delegação do DF (aluguel de ônibus, principalmente).

No convite tem um endereço de e-mail para vocês enviarem os nomes para a lista. Para quem tiver nome na lista, o ingresso custará R$ 5,00. Sem nome na lista: R$ 10,00. Lembrando que tanto o ingresso como o consumo deverão ser pagos em dinheiro, porque não há maquinas para cartão Clube...

Vamos soltar nossas bruxas e fazer uma super festa!!!!!!!!!!!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Atividade festeira e sambística, com uma comida assaz interessante e cheia de origens e histórias populares, mitológicas e etc.]




Galinhada: típico de risoto abrasileirado, amineirado composto por arroz e galinha. A receita é de nossa amiga Vera Machado, conhecida pela militância e também por seus dotes culinários incríveis!!!

O samba será por conta do Quintal de Iaiá que nos brindará com uma seleta, dileta e repleta seleção musical de nossa querida MPB. E se conseguirmos equipamentos, o som ficará por conta da DJ Ale Peixoto.

Teremos cervejas, refrigerantes e quiça as famosas caipirinhas! !! E a emoção extra ficará por conta do sorteio de nossa rifa especial, cujo primeiro premio é um fabuloso MP4 e o segundo, um um RUM, isso mesmo, um autêntico RUM CUBANO! Se ainda não comprou ainda temos números disponíveis!! !

O esquema vai ser: R$10,00 com direito a galinhada
Bebidas deverão ser compradas, mas evidente que o preço nao vai ser de balada!!!
Então,

O QUE? GALINHADA E SAMBA, É TUDO FEMINISTA!
QUANDO? 18 OUTUBRO A PARTIR DAS 13H00
ONDE? SINDISAUDE - RUA CARDEAL ARCOVERDE, 119 (bem no início da cardeal, próximo ao metro clínicas)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Bingo&Breja

Companheiras,

Como sabem estamos em plena campanha de arrecadação financeira para ação de 2010. E no próximo domingo, o CIM vai realizar o prometido Bingo&Breja.

E como é sempre bom unir o útil ao agradável nesse mesmo dia realizaremos a exibição do filme Clandestinas: o aborto no Brasil, de Ana Carolina Moreno. Após a exibição faremos um debate sobre aborto e na sequência o Bingo rolará solto.

Para o Bingo estamos realizando ampla campanha de arrecadação de prendas que podem ser deixadas na SOF ou no próprio CIM.



Dia 4 de outubro de 2009
15h00 - filme: Clandestinas: o aborto no Brasil
E a partir das 16h30: Bingo
LOCAL: CIM - Rua da consolação, 605 Praça Roosevelt, Centro/SP


Saudações Feministas!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Governo espanhol aprova projeto sobre aborto

Fonte: http://www.conjur.com.br/2009-set-26/governo-espanha-aprova-projeto-legaliza-aborto-pais

O governo da Espanha aprovou a reforma de lei sobre o aborto. Com exceção do Partido Popular, a maioria dos parlamentares concordam com a necessidade de modificar a lei sobre o assunto, que é de 1985, embora não estejam de acordos com os aspectos do projeto. Um dos pontos permite que a decisão seja tomada por meninas de 16 anos. As informações são do jornal El País.

Pelo projeto, caso seja aprovado, as espanholas poderão decidir livremente se querem abortar desde que isso seja feito durante as primeiras 14 semanas de gravidez. Também podem interromper a gestação até a 22ª semana se a sua vida ou saúde estiverem em risco ou se o feto sofrer mal formação grave.

De acordo com o projeto, depois deste prazo, só poderão abortar se o feto sofrer anomalias incompatíveis com a vida dele ou extremamente graves e incuráveis, situação esta que será avaliada por um comitê clínico. O projeto também acaba com a penas privativas de liberdade para mulheres que abortem fora dos casos previstos.

A legislação sobre o tema na Espanha é muito diferente do resto dos países da Europa. É um dos poucos países da União Europeia que não considera o aborto como um direito, ainda que dentro de certos limites.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Irreverência Feminista

Ensaio da Fuzarca Feminista na Zona Leste

Quando: 26 de Setembro às 13h00
Local: Casa Viviane dos Santos (Rua Professor Pereira Frazão, 50 Guaianases/São Paulo(Referência: Próximo a Escola Pedro Taques, em frente ao Conselho Tutelar de Guaianases)


Fuzarca Feminista na Zona Leste

Além de batucar faremos uma panfletagem por isso compareçam e divulguem essa data!!!!

''Seguiremos em marcha (e batucando) até que todas sejamos livres!!!!''

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

BRECHÓ DA MARCHA RUMO AÇÃO 2010! CASA VIVIANE DOS SANTOS!

DIA 27 DE SETEMBRO, A PARTIR DAS 11 horas!

LOCAL: Rua Professor Pereira Frazão, 50 Guaianases/São Paulo(Referência: Próximo a Escola Pedro Taques, em frente ao Conselho Tutelar de Guaianases)




DIA 27 DE SETEMBRO, A PARTIR DAS 11 horas!
Desta vez o Brechó mudou de endereço! Ele será na Casa Viviane dos Santos.

Para que ele seja um sucesso, a sua participação (e das amigas e simpatizantes) é fundamental!
Lembra daquelas roupitchas que você não usa mais? Agora elas terão uma função super nobre, ajudar a financiar a participação das Paulistas nas ação de 2010 da MMM.

As doações podem ser feitas na SOF ou na própria Casa Viviane.
Doe e de quebra leve algumas peças, a preços justos, para sua casa.

LOCAL: Rua Professor Pereira Frazão, 50 Guaianases/São Paulo
(Referência: Próximo a Escola Pedro Taques, em frente ao Conselho Tutelar de Guaianases)

DIA 28 DE SETEMBRO É O DIA LATINO AMERICANO E CARIBENHO DE LUTA PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO.



No Brasil, neste dia, a Frente Pelo Fim Da Criminalização Das Mulheres e pela Legalização do Aborto organizará ações de rua, em várias cidades em diversos estados, para denunciar a criminalização das mulheres e exigir a legalização do aborto. Na cidade de São Paulo, a MMM é parte da organização do ato que acontecerá na Praça da Sé, às 15h00.

No Brasil, o aborto é considerado crime, mas isso não impede e nunca impedirá que ele seja praticado. A clandestinidade, no entanto, condena às mulheres pobres a recorrer a práticas inseguras.

A criminalização das mulheres é um ataque ao direito que todas temos de decidirmos sobre o nosso corpo e a nossa vida e obriga a milhares e milhares de mulheres a colocarem sua vida e saúde em risco, por não terem condições de bancarem um atendimento decente.

Ninguém faz aborto porque gosta, mesmo assim no Brasil cerca de 240 mil mulheres são internadas em hospitais do SUS em decorrência do aborto o clandestino. Elas chegam com hemorragias infecções que às vezes levam a morte. Quando não são maltratadas e humilhadas nos hospitais.

Como se não bastasse, atualmente no Brasil, setores conservadores passaram a perseguir com objetivo de prender, condenar e humilhar as mulheres pobres que recorrem ao aborto e as pessoas que lutam pelo direito de decidir das todas as mulheres.

No ano passado, 2000 mil mulheres em Mato Grosso do Sul tiveram suas vidas expostas e já há mulheres condenadas por praticar aborto. Infelizmente esse lamentável e condenável fato incentivou o “estouro” de clínicas em outras cidades de vários estados do país, numa clara intenção de amedrontar, constranger e criminalizar as mulheres.

A ofensiva misógena se dá também no legislativo federal: deputados conservadores propuseram a CPI do aborto, cuja finalidade é investigar as práticas de aborto clandestino no país. O que significa penalizar e perseguir mais ainda as mulheres pobres que recorrem ao aborto clandestino. Outras iniciativas absurdas como proibição do acesso a pílula do dia seguinte mostram o empenho desse setor em retirar das mulheres o direito de decidir sobre o seu corpo.

Em nosso continente, a recente experiência de legalização do aborto no México mostra que é possível lidar com esta situação sem hipocrisia. E com resultados positivos para as mulheres, em especial, as mais carentes. Não se vêem mais mulheres chegando ao hospital com o útero perfurado em conseqüência de manobras abortivas perigosas.

A lei beneficia também a sociedade e ao Estado. Menos complicações médicas, muitas vezes mais custosas que o aborto, e menos abandonos de recém-nascidos. As autoridades sanitárias do México fazem um balanço positivo da lei que descriminalizou o aborto até doze semanas de gestação - uma experiência pioneira na América Latina.

Por isso, neste 28 de setembro, às 15h00, na Praça da Sé exigiremos o fim da criminalização das mulheres e a legalização do aborto. Estaremos mulheres e homens, lutadoras e lutadores comprometidos com a luta por uma sociedade sem opressão, onde todas e todos tenham o direito de decidir o destino de suas vidas.

Legalizar o aborto,
Direito ao nosso corpo!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Relações sociais de sexo e divisão sexual do trabalho

Danièle Kergoat


(Publicado em “Gênero e Saúde” - org. Marta Julia Marques Lopes, Dagmar Estermann Meyer e Vera Regina Waldow. Ed. Artes Médicas – 1996)


Relações sociais de sexo e divisão sexual do trabalho são duas proposições indissociáveis que formam um sistema. A reflexão em termos de relações sociais de sexo é, ao mesmo tempo, anterior e posterior à reflexão em termos de divisão sexual do trabalho. Ela é preexistente como noção, mas posterior como problemática. É preexistente, pois foi uma aquisição do feminismo, por meio da emergência de categorias de sexo como categorias sociais, de mostrar que os papéis sociais de homens e mulheres não são produto de um destino biológico, mas que eles são, antes de tudo, construções sociais que têm uma base material.
Mas ainda faltava provar isso! Foi o que permitiu a formalização em termos de divisão sexual do trabalho, oferecendo um quadro para conhecer simultaneamente:
- Um trabalho considerável, geralmente de primeira mão, para conhecer a realidade (e não mais os estereótipos) do trabalho feminino em todos os seus aspectos e por especificar sexualmente o trabalho masculino.
- Um trabalho paralelo de desconstrução/reconstrução dos conceitos usualmente utilizados e de desvendar sua "neutralidade" mostrando as suas características sexuadas, conduzindo, necessariamente, a uma crítica dos modos de conceituação no conjunto das Ciências Sociais.

A partir de então é que se tomou possível um retomo às relações sociais para construir um quadro teórico de conjunto, no qual se insere a divisão sexual do trabalho. Isto porque estes dois conceitos são inseparáveis. É sobretudo a análise em termos de divisão sexual do trabalho que permite demonstrar que existe uma relação social específica entre os grupos de sexo. É esta análise que permite, a partir de uma análise fechada da repartição (da distribuição) dos homens e das mulheres quanto à qualificação, por exemplo, no que se refere ao assalariado (Kergoat, 1982) ou quanto ao trabalho doméstico (Chabaud-Rychter, Fougeyrollas-Schwebel, Sauthannax, 1985), de provar que as separações entre homens e mulheres não são redutíveis a mais ou menos exploração ou a uma divisão desigual, mas que se trata de um tratamento contraditório segundo o sexo. Enfim, de uma análise da relação social específica à variável sexo.
Esta curta introdução foi necessária, pois o termo de divisão sexual do trabalho, se é hoje conhecido na linguagem sociológica corrente, tem significações muito diferentes umas das outras. Freqüentemente ele é utilizado com uma conotação simplesmente descritiva -há uma diferenciação entre os sexos nas atividades sociais. Correto, esta abordagem sociográfica foi e é indispensável. Mas, falar em termos de divisão sexual do trabalho é, a meu ver, muito mais. É articular essa descrição do real com uma reflexão sobre os processos pelos quais a sociedade utiliza esta diferenciação para hierarquizar as
atividades. A divisão sexual do trabalho está no centro (no coração) do poder que os homens exercem sobre as mulheres.
Portanto, argumentar em termos de divisão sexual do trabalho é, para mim, indissociável de uma sociologia das relações sociais.
Para ficar claro, utilizamos, ao longo deste texto, relação social não simplesmente como contato, ligação social, mas como uma relação: 1º) antagônica, 2º) estruturante para o conjunto do campo social e 3º) transversal à totalidade deste campo social.

AS RELAÇÕES SOCIAIS DE SEXO

Este conceito nos leva a uma visão sexuada dos fundamentos e da organização de sociedade. Fundamentos e organização estes ancorados materialmente na divisão sexual do trabalho. Existe, portanto, um esforço para pensar de forma particular, mas não fragmentada, o conjunto do social, ou seja:
-Particular, porque ela foi elaborada a partir do "ponto de vista" da opressão das mulheres (feminist stand-point).
-Não-fragmentada, já que as relações sociais de sexo existem em todos os lugares, em todos os níveis do social. Esta abordagem deve, portanto, se integrar em uma análise global de sociedade, contribuir para fazê-la avançar (não se trata, evidentemente, de se integrar passivamente, o que seria mesmo impossível) e se articular aos outros elementos da dinâmica social.

Finalmente, é necessário precisar que esta visão global do social é pensada em termos dinâmicos, pois ela repousa em antagonismos e contradições, bem como em termos materialistas, pois toda relação social tem um fundamento material.
A definição de relações sociais de sexo que avançamos aqui repousa em vários pontos:
1. Em uma ruptura radical com as explicações biologizantes das diferenças entre as práticas sociais masculinas e femininas.
2. Em uma ruptura radical com os modelos supostos universais.
3. Nas afirmações de que tais diferenças são construídas socialmente e que esta construção social tem uma base material (e não apenas ideológica).
4. Que elas são, portanto, passíveis de ser aprendidas historicamente.
5. Na afirmação de que estas relações sociais repousam em princípio e antes de tudo em uma relação hierárquica entre os sexos.
6. De que se trata, evidentemente, de uma relação de poder .

Nesta perspectiva convém ressaltar que o conceito de relações sociais de sexo se prende à noção de prática social. De fato, se admitimos que existe uma relação social específica entre os homens e as mulheres, isto implica práticas sociais diferentes segundo o sexo.
Como práticas sociais e não-condutas biologicamente reguladas, podem se buscar seus princípios de inteligibilidade. Assim, o que estava fora do campo da disciplina sociológica se toma um objeto legítimo de questionamento.

Neste sentido, a noção de prática social é indispensável para:
- Permitir a passagem do abstrato ao concreto (o grupo, o indivíduo).
- Definir os atores de outra forma do que como puro produto das relações sociais.
- Poder pensar simultaneamente o material e o simbólico.
- Restituir aos atores sociais o sentido de suas práticas, para que o sentido não seja dado de fora por puro determinismo.
Esta definição é uma entre outras possíveis. Conceituar em termos de relações sociais de sexo não é coisa nova entre as intelectuais francesas (podemos citar como exemplo a produção de N.C. Mathieu). E, evidentemente, muitas de nossas aquisições reflexivas são resultado do conjunto de nossos trabalhos.
A construção, para referenciar os termos de Helène de Doaré (1991), de um verdadeiro pensamento dialético, torna-se real o que não tinha sido feito anteriormente a não ser no âmbito das classes sociais. Os sexos não são, a partir de então, categorias imutáveis, fixas, a-históricas e associais. As relações sociais de sexo são, ao contrário, periodizadas, e o problema da mudança da transformação pode ser abordado.
Falar em "relação social" quer dizer falar de relação de poder. A partir de então, está descartado o desconhecimento do ponto de vista do dominante, pois ele conhece os mecanismos econômicos, as justificativas ideológicas, os constrangimentos materiais e físicos a utilizar. Isto é tanto mais indispensável que, quando se é dominado, se a gente conhece a vivência da opressão, não se tem necessariamente plena consciência dos mecanismos da dominação (N.C. Mathieu,1991).
Por fim, e é aqui onde os caminhos divergem, as práticas de pesquisa são bastante divergentes e uma questão se coloca: é necessário, então, centrar a reflexão somente nas relações sociais de sexo, ou é necessário, ao contrário (e esta é a minha posição), tentar pensar o conjunto das relações sociais na sua simultaneidade? Tudo depende do objeto que se assume. A meu ver, trata-se de se instrumentalizar, com princípios de inteligibilidade, para compreender a diversidade e a complexidade das práticas sociais de homens e mulheres. Nesta perspectiva, considerar somente a relação de dominação homem/mulher é insuficiente.
É assim que pensam a si mesmos os atores sociais. É evidente que os homens, dominantes, não se colocam enquanto "homens", já que, quase por definição, o dominante existe de direito, mas não "se pensa" como tal. É O dominado que se pensa, e ainda nem sempre, como "relativo". Mas uma mulher não se pensa como mulher, ela se pensa também dentro de uma rede de relaçÕes sociais. Como trabalhadora (na relação capital/trabalho, na relação salarial), como jovem ou velha, como, eventualmente, mãe ou imigrante. Ela sofre e/ou exerce uma dominação segundo sua posição nestas diversas relações sociais. E é o conjunto que vai constituir sua identidade individual e dar nascimento às suas práticas sociais. Em nível coletivo, é ainda o conjunto das relações sociais que vai fundar o sentimento de pertencer a um grupo e a consciência de dele fazer parte.
Minhas reflexões se assentam, portanto, nas seguintes bases:
1. As relações sociais de sexo dinamizam todos os campos do social. Toda relação social é sexuada, enquanto que as relações sociais de sexo são perpassadas por outras relações sociais:
- As relações de classe são analisadas enquanto relações que imprimem conteúdo e direção concreta às relações sociais de sexo.
- Ao imerso, as relações de sexo são analisadas como emprestando conteúdos específicos às outras relações sociais (por exemplo, a norma da "virilidade", tão presente no meio operário masculino).

2. Fazemos, assim, "explodir" os quadros de referência binários e com isso se pode pensar a totalidade do social, sem que tentemos, afobadamente, pesquisar a "boa" relação social, ou a "boa" identidade que vai resolver o que não pode aparecer, tanto numa perspectiva clássica como das contradições.

3. Quebramos, assim, a homologia entre um tal lugar e uma tal relação social: a relação entre os sexos não se esgota na relação conjugal, mas é ativa no lugar de trabalho, enquanto que a relação de classes não se esgota no lugar de trabalho, mas é ativa, por exemplo, na relação com o corpo, ou na relação com as crianças.

4. Podemos pensar a complexidade e a mudança no jogo das diferentes relações sociais entre si. De fato, as relações sociais de sexo não funcionam de forma homogênea em todos os setores, nos diferentes níveis sociais. Assim, na empresa, se assiste a uma recriação das relações sociais de sexo e não a um simples reflexo do que se passa do lado de fora dela (Humphrey, 1987). Nada é imutável, mecanicista, tudo é histórico, periodizável (Milkman, 1987).

5. Isto permite, enfim, de falar de "sujeitos" que, ao mesmo tempo, sofrem a ação das relações sociais, mas, igualmente, agem sobre elas, construindo, tanto individualmente como coletivamente, suas vidas, por meio das práticas sociais.

Para concluir esta parte, afirmo que a função do conceito de relações sociais de sexo é dupla e retomarei aqui os termos do último relatório de atividades do GEDISST (Groupe d'Étude sur Ia Division Sociale et Sexuelle du Travail- Laboratório do CNRS). Vimos que este conceito é princípio organizador das práticas sociais, da mesma forma que as demais relações sociais, às quais ele se articula. De fato, 1°) ele indica que a dimensão sexuada é parte integrante do social e deve ser levada em conta na construção das categorias de análise das ciências sociais (trabalho de desconstrução); 2°) ele indica a necessidade de forjar "instrumentos" conceituais aptos a analisar a dinâmica complexa do conjunto das relações sociais (trabalho de construção).
É necessário, ainda, legitimar a articulação entre relações sociais de sexo e divisão sexual do trabalho. Este é um problema essencial para não pensarmos em divisão sexual do trabalho na "pura base empírica", enquanto que reservamos às relações sociais de sexo a "teoria". Teoria esta, tanto mais inconsistente quanto menos ligada à materialidade social. É importante igualmente, se não quisermos pensar tão-só o "porquê" dos fenômenos sociais, mas também o "como" (sobre este problema, cf. Kergoat, 1986). É importante, enfim, se quisermos articular quadro teórico e metodológico, porque não podemos estudar as relações sociais em si, mas suas modalidades, suas formas, sua periodização, e isso se faz por meio das práticas sociais. Mesmo assim, ainda falta uma mediação: hipóteses à capacidade média na qual situamos o papel explicativo da divisão sexual do trabalho, a partir do momento em que lhe atribuímos um papel central nas disputas (enjeux*.) nas relações sociais de sexo.
As relações sociais organizam, denominam e hierarquizam as divisões da sociedade: privado/público, trabalho manual/trabalho intelectual, capital/trabalho, divisão internacional do trabalho, etc. As modalidades materiais dessas bicategorias são centrais nas relações sociais; a divisão social do trabalho entre os sexos é ponto ( de disputas) fundamental nas relações sociais de sexo.

AS LINHAS DE DEMARCAÇÕES COM
OUTROS CAMPOS TEÓRICOS

Um primeiro debate poderia ser o da utilização do termo "gênero", "relações de gênero" (do inglês gender) ao invés de "relações sociais de sexo". A primeira observação é de bom senso: é impossível colocar em oposição gênero e relações sociais de sexo; os dois termos são altamente polissêmicos. Encontramos, nos dois casos, O mesmo leque de acepções que vão da simples variável mulheres, até uma análise em termos de relações sociais antagônicas (Scott, 1988). Trata-se, a meu ver, menos de conceituações alternativas do que de formalizações preferenciais.
Pode ser útil lembrar que o movimento feminista francês, diferentemente do que se passou em outros países, se definiu, de início, em parte no interior e/ou em oposição aos partidos políticos de esquerda e foi profundamente marcado pelo marxismo como teoria de referência. Vem daí um vocabulário análogo: modo de produção doméstica, relações sociais de sexo, classe de sexo (Guillaumin, 1978), etc. Mas não se esgota nisso. De fato, a redução da análise em considerar somente a variável sexo é muito mais difícil com o conceito de relações sociais de sexo, termo que implica, necessariamente, uma certa visão da sociedade e que elimina outras, por exemplo: é difícil falar simultaneamente de relações sociais de sexo e patriarcado, enquanto que a utilização do termo gênero o permite. E mais, "relação" tem uma conotação de reciprocidade, o que não tem o termo "gênero": uma categoria só existe em relação à outra. É, portanto, mais difícil "esquecer", no segundo termo, o grupo social dos homens.
Enfim, a aproximação relação social (forçosamente fato da cultura) com a palavra sexo (sempre percebido como fato da natureza) tem um efeito detonador, interrogativo, subversivo, efeito que, para nós, é positivo, já que pensamos que esta abordagem conduz a repensar a epistemologia das Ciências Sociais.
Um segundo debate diz respeito ao emprego do termo "patriarcado". Diferentes definições de patriarcado apareceram nos Estados Unidos (patriarcado baseado na reprodução ou na sexualidade) e na França, (patriarcado baseado no modo de produção e no modo de produção doméstica). Esses trabalhos parecem se inscrever definitivamente numa abordagem estruturalista, e isso, levanta, a meu ver, dois problemas:

- Primeiro, remete às dificuldades próprias a toda abordagem estruturalista: a que insiste na metaestabilidade do sistema, e, no que diz respeito aos nossos propósitos, rapidamente pode-se passar à uma abordagem que considera a posição das mulheres como imutável.
- Afirmar a primazia (ou a simultaneidade -Guillaumin, 1978) do sistema patriarcal em relação à organização social no seu conjunto não é suficiente para mostrar como o sistema afeta domínios que não parecem estar ligados. Assim, por exemplo, como articular o modo de produção doméstico (Delphy, 1978) -que explica que é a apropriação ou a exploração do trabalho das mulheres na família que está na base de sua exploração comum, com o modo de produção capitalista?

Podemos ver que a definição de relações sociais de sexo, que foi proposta aqui, torna caducas as análises que se referem à "condição feminina " (pois esta é pensada em termos de especificidade em relação a um modelo que se diz geral) ou à noção de papéis sociais (essa análise pensa as posições sociais dos dois sexos em termos de complementaridade).
Quanto ao que se convencionou chamar " estudos sobre as mulheres", tais análises se chocam inelutavelmente na dificuldade seguinte: como pensar teoricamente a acumulação de dados e de estudos pontuais? Mas o mais grave é que os "estudos sobre as mulheres" acreditam geralmente na proposição segundo a qual é preciso desconstruir os conceitos que se apresentam falsamente como universais, mesmo que eles sejam somente sujeito e objeto de teorias que esvaziam os dados desse universal. No entanto, tais estudos tendem, por intermédio de seus dispositivos metodológicos e teóricos, a apresentar lia" mulher como dotada de uma essência e como universal, como sujeito e objeto de pesquisa (Harding, 1986). Nestes aspectos, essas análises me parecem desembocar numa contradição insuperável.
Serei ainda mais breve sobre o esquema igualitário que, propondo como objetivo o alinhamento da situação das mulheres baseado na situação dos homens, se constitui de fato sobre uma norma masculina, supostamente estática. Realmente, o fracasso relativo das políticas de igualdade (Doniol-Shaw et alii, 1989) mostra bem os limites de uma argumentação em termos de recuperar o que foi perdido, Toda mudança na situação de um grupo induz uma mudança para outro grupo, É certamente sobre o terreno das relações de força que se afrontam, com armas desiguais, os grupos de sexo em oposição.
Terminarei sobre a teoria da diferença. É evidentemente com ela, baseado na adesão a valores intrinsecamente sexuados, portanto, a-históricos (identidade feminina) que a distância é maior. Citarei simplesmente Simone de Beauvoir que, desde 1972, em Tout compte fait, declarava: "Eu não acredito que existam qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos; seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para as mulheres de se afirmar como mulheres, mas de tornarem-se seres humanos na sua integralidade".
É justamente o problema do universal que está posto aqui. Falar de relações sociais é colocar no centro do problema a luta dos dominados -homens e mulheres -para ascender ao universal e para poder pensar, enfim, esse universal.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ICHABAUD-RYCmER D., Fougeyrollas-Schwebel D., Sonthonnax F. (1985).
Espace et temps du travail domestique. Paris, Librairie des Méridiens, collection Réponses Sociologiques.
DELPHY C. (1978). "Travail ménager ou travail domestique?", in Les femmes dans la societé marchande, Paris, PUF, pp. 39-54.
DONIOL-SHAW G., Junter-Loiseau A., Genestet V., Gouzien A., Lerolle A.(1989). Les plans d'égalité professionnelle. Etude-bilan. 1983-1988, Documentation Française, Paris.
GUILLAUMIN C. (1978). "Pratique du pouvoir et idée de Nature", Questions Féministes nº 2 (pp. 5-30) e 3 (pp. 5-28).
HARDING S. (1986), "L 'instabilité des catégories analytiques de la théorie féministe", Signs, voI. 11, na 4. Paro en français dans Futur Antérieur, nO5 4 e 5,1991.
HUMPHREY J. (1987), Gender and Work in the Third World. Sexual division in Brazilian Industry, London. Tavistock PubIications.
KERGOAT D: (1982), Les ouvrieres, Paris, Le Sycomore.
KERGOAT D. (1988), "Le syllogisme de Ia constitution du sujet sexué féminin. Le cas des ouvrieres spécialisées", in Les repports sociaux de sexe: problématiques, méthodologies, champs d'analyses, Paris, IRESCO,Cahiers de l' APRE, 7 vol. 1, pp. 283-291.
LE DOARÉ H. (1991), "Note sur une notion: le rapport social de sexe", Encrage, nº hors série, pp. 8-10.
MATHIEU N. C. (1991), L'anatomie politique, Paris, Côté-Femmes.
MILKMAN R. (1987), Gender at work: the Dynamics of Job Segregation by sex during World War II, Illinois, University of IIlinois Press.
SCOTT J. (1988), "Geme: une catégorie utile d' analyse historique", in Le genre de l'histoire, Les Cahiers du Grif, nºs 37-38, pp. 125-153.
Ouvrages collectifs: (1985), Le sexe du travail, Presses Universitaires de Crenoble. (1988), Les rapports sociaux de sexe: problématiques, méthodologies, champs d'analyses, Paris, IRESCO, Cahiers de l' APRE n° 7, 3 vol.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A prostituição é um modo de vida desejável?

Essa é uma tradução livre que eu fiz de um artigo publicado no jornal El Pais, da Espanha, em 2007, quando o tema da prostituição estava em debate no legislativo daquele país.

A realidade da prostituição na Espanha, e em muitos países da Europa, é distinta da realidade brasileira. Enquanto lá a maior expressão da prostituição é a que envolve imigrantes ilegais, no Brasil a realidade é marcada pela profunda desigualdade social e de gênero, que tem como expressões desta forma de exploração das mulheres a prostituição, o turismo sexual, o tráfico interno de mulheres e meninas, a prostituição nas estradas e portos, nos grandes centros urbanos, a indústria do lazer e entretenimento, além de sermos um país de origem do tráfico internacional de mulheres.

De todas as formas, o artigo a seguir apresenta elementos importantes para refletir sobre o assunto, lá e cá.

O artigo é de Amelia Valcárcel, catedrática de Filosofia Moral e Política da UNED, e membro do Conselho de Estado. Também assinam conjuntamente este artigo Victoria Sau, Celia Amorós, Teresa Gisbert, Rosa Cobo, Inmaculada Montalbán y Alicia Miyares.

A prostituição é um modo de vida desejável?

Ninguém gosta de falar da prostituição, nem tampouco que se faça visível em nossas vidas. Porém, muitas pessoas que não a colocam no horizonte do que é desejável para elas mesmas, não tem problemas em defender que a prostituição possa ser um modo de vida para “algumas” mulheres.

Mas, a prostituição é uma opção vital semelhante a qualquer outro trabalho? Certamente é um modo de vida para os “empresários do sexo” que buscam a normalização legal e social de seu dinheiro. Não deveríamos esquecer que a prostituição é o terceiro negócio em benefícios e que uma parte substancial deste negócio se assenta na “economia criminosa”. Está comprovado que ao redor do mundo da prostituição se produz um aumento do tráfico de drogas, da delinqüência e outros delitos.

A prostituição também é o modo de vida das máfias que traficam mulheres. É um fato que prostituição e tráfico de mulheres estão intimamente relacionados. Os dados são persistentes e dão conta de qual é o mapa de origem e social destas mulheres: na Espanha, mais de 90% das mulheres em situação de prostituição são imigrantes em situação irregular; mais de meio milhão de mulheres e meninas são vítimas deste fenômeno.

Este único dado – o volume do tráfico de seres humanos – serve para desbaratar qualquer pretensão de “honrabilidade” para traficantes e “empresários do sexo”. Hoje sabemos que sem tráfico de mulheres a prostituição na Espanha não seria um negócio. Poucas são, atualmente, as mulheres espanholas envolvidas na prostituição por vulnerabilidade ou exclusão social. A realidade é que, quando em uma sociedade aumentam os espaços de igualdade e o nível de vida, diminui drasticamente o número de mulheres do próprio país que se dedica à prostituição.

Vulnerabilidade, marginalização e pobreza são as causas que levam à prostituição, não suas conseqüências. A prostituição caminha com a feminização da pobreza. As mulheres do terceiro mundo vêm a nossos países devido à pobreza dos seus. Vêm ao primeiro mundo, alentadas ou enganadas pelas máfias de traficantes, para melhorar sua vida e, no entanto, acabam dentro da prostituição como horizonte vital. A maioria não sai deste mundo também pela pobreza, porque tem que manter e cuidar de sua família, porque tem que pagar dívidas àqueles que as estão explorando.

Busquemos onde busquemos, é a pobreza e o fato de estarem indefesas que vemos nos rostos de todas estas mulheres exploradas e traficadas. Regularizar a prostituição as ajudaria?

Holanda e Alemanha, que optaram por isso, estão comprovando que o tráfico e a prostituição clandestina têm se intensificado. Portanto, se o que se quer é ajudar a essas mulheres e não tornar as máfias respeitáveis, que não parece um objetivo sério de política alguma, o que deve ser feito é realizar programas de inclusão social, abordar políticas de igualdade que freiem ou evitem a vulnerabilidade, a pobreza e a marginalização. Este é o mundo real.

Mas, além disso, do fato de que a prostituição exista não decorre que deva continuar existindo. Vamos ao melhor dos mundos possíveis: pode-se argumentar que em um mundo ideal, sem exploração e sem tráfico, algumas mulheres poderiam livremente querer se prostituir. Por hora, esse mundo não existe, nem dá sinais no horizonte. Mas, ainda que chegássemos a esse improvável marco, se deveria recordar que nem sempre o consentimento legitima uma prática, nem muito menos a converte em um trabalho. As máfias, mas também algumas pessoas bem-intencionadas, insistem muito na vinculação de consentimento e trabalho. Não é demais relembrar que isso é uma falácia. Nunca que um modo de vida seja escolhido supõe que esse modo de vida seja automaticamente desejável. Pode, por exemplo, um indivíduo livre desejar ser escravo? Não podemos descartar isso. Isso converte a escravidão em uma prática recomendável? Com certeza não. A escravidão foi abolida e quando isso aconteceu muitos escravos choraram.

Nem sempre consentir, ou inclusive querer, legitima o que se faz, nem a quem se faz. O consentimento não converte uma grande variedade de atividades em trabalhos. A prostituição não é nenhum bom modelo de relação de trabalho, nem de relação entre homens e mulheres. Se considerássemos, por um instante, com seriedade, que modelo de relação trabalhista seria? Um que colidiria frontalmente com nossa normativa em matéria de direitos trabalhistas. Esse trabalho deveria ser aceito quando não aparecesse outro preferível em primeiro lugar? Haveria cursos de capacitação e reciclagem? Estas perguntas podem provocar até um sorriso, mas são severas e pertinentes. Os trabalhos são assim.

Há um estigma e ninguém pode negar, mas qualquer regulação transmitiria à sociedade uma mensagem equivocada, porque conteria uma dimensão pedagógica. A lei educa a cidadania. Desejamos educar nossas filhas e filhos apontando a prostituição com uma atividade aceitável? Desejamos transmitir a eles que comprar ou se vender é um modelo pertinente de relação entre os sexos? Podemos desejar isso e ao mesmo tempo manter uma noção mínima de cidadania e igualdade? Este breve texto nos leva a compartilhar as conclusões do informe proposto pela Comissão Mista Congresso-Senado dos Direitos da Mulher. Parece bastante acertado e prudente que esta Comissão, que escutou todos os argumentos e ouviu todas as posições, tenha definido por rechaçar que a prostituição seja um modo de vida desejável e aceitável.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

batucada no Brasil e no mundo

video

Esse é um videzinho que pretende dizer que estamos em movimento..Em vários lugares do Brasil e do mundo, organizando jovens mulheres em torno de uma plataforma feminista radical.

Mulheres jovens em Marcha contra o capitalismo e o machismo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O estupro

Meninas, esse texto é grande, mas vale muito a pena! Ps. Tá sem revisão.



O Estupro

Emmanuèle Durand

Eu andava pela rua do Four em direção ao metrô, voltando para casa. Eram oito horas da noite. Enquanto atravesso a rua um moço me vê do outro lado da rua, me avalia, me espera e me aborda. Ele é de altura média, nem feio nem bonito, vestido burguesmente, usa óculos. (Se você o encontrar, chama-se Marc, não soube seu sobrenome.) Parece estudante de Direito. Não é o meu tipo.
Perdão, senhorita, quer que eu a acompanhe, perdão, senhorita, posso falar com você, boa noite, como vai, aonde vai tão depressa, ou qualquer coisa no gênero, me diz ele.
Não gosto de ser abordada. Isso não traria problemas, se homens e mulheres fossem iguais, se as relações entre os sexos fossem recíprocas. Mas atualmente esse não é um meio como um outro de se conhecer alguém, porque é um meio que coloca de início a mulher como objeto sexual. A maioria dos homens que abordam uma mulher não esperam que ela tenha manifestado o menor desejo, que tenha sustentado seu olhar, nem mesmo que os tenha visto. Começam freqüentemente a falar antes de ter visto seu rosto, chegam e dirigem-se a ela por trás.
Era, como quase sempre, sua escolha e não a minha. Primeiro, não respondi - ele me era indiferente. Depois ele insistiu, seguindo-me. A força de sua insistência juntou-se à da minha solidão, e respondi. Percebi que falar me dava prazer. Queria companhia. Seu desejo era a priori bem diferente, afirmou ele mais tarde. Tratava-se de uma decisão que não foi modificada nem por minha atitude geral, nem por minhas afirmações, nem por minha recusa física.
Quando ele propôs tomarmos um café, aceitei, prevenindo-o que o deixaria meia hora depois (porque eu só previa um alívio verbal para minha solidão e não tinha a impressão que uma amizade nasceria deste encontro).
Então começou a escalada. "Conheço um café um pouco mais adiante", diz ele. Na verdade, é ao seu carro que me leva, abre-me a porta sem perguntar minha opinião.
É o primeiro indício de sua vontade de poder. Isso deveria ter bastado para que eu me recusasse a entrar no carro. Infelizmente as mulheres estão habituadas a não se chocar com a pressão continuamente feita pelos homens sobre elas. Eu não notava que, entre esse gênero de abuso - constante - e o estupro, só há uma diferença de grau, não de natureza.
Até aqui eu ainda estava formalmente livre. Digo formalmente, porque, se eu me tivesse recusado a entrar no seu carro, isso teria provado que eu não poderia fazê-lo sem risco. Se uma mulher não tem escolha entre privar-se de companhia ou aceitar uma companhia com o risco de que sua liberdade não seja respeitada, essa mulher não é livre.
Comecei por recusar a subir. Disse que preferia ir a um café ali por perto, que era mais simples, etc.
Espontaneamente, não exprimia a razão verdadeira de minha recusa. Fazia de conta que o carro representava apenas uma complicação prática.
Utilizava em realidade um código implícito, compreendido por meu interlocutor, pois ele me respondeu: "Mas não é possível, não me diga que você está com medo. Não vou te comer", etc.
Eu tinha afirmado o risco da agressão sem mencioná-lo, e ele o tinha mencionado, negando-o. Todos os dois, eu por voluntarismo, ele por chantagem, fazíamos de tenta que ignorávamos a situação social da mulher como objeto sexual, quer dizer, a possibilidade de que sua liberdade não seja respeitada.
Quando eu lhe disse que não era cômodo tomar o carro, eu falava como uma mulher livre que só se coloca um problema material. De fato, sem ter plenamente consciência, eu recusava a situação sob dois aspectos: de um lado, a possibilidade de que esse homem abusasse de mim (como tão justamente se diz) no carro; e, por outro lado, o significado social de meu gesto, se eu entrasse no carro. Este significado faz parte de um código implícito, e é por isso que é tão difícil de ser analisado.
Eu temia que no fundo minha atitude fosse considerada como um convite sexual, quando não era o caso. Ou, mais exatamente, eu temia que o homem fingisse interpretar minha atitude como um convite sexual para se justificar mais facilmente de uma agressão eventual (situada a qualquer nível), negando assim seu caráter de agressão.
Este medo obscuro exprimia uma realidade social habitual. As mulheres nunca são realmente consideradas vítimas da agressão masculina, mas cúmplices. Paradoxo absurdo, destinado a negar a realidade da opressão das mulheres. Se uma mulher vai ao quarto de um desconhecido e aí é estuprada, dir-se-á que ela tinha "procurado", que o fato de entrar no quarto era uma aceitação implícita do que poderia acontecer. Levando ao extremo, finge-se crer nesse contra-senso: que uma mulher possa gostar de ser violada.
Todas essas idéias repousam sobre o mito da natureza passiva da sexualidade feminina, mito destinado a justificar um papel social que é imposto às mulheres. "Uma mulher que não diz nada consente. Uma mulher que diz não quer dizer talvez, uma mulher que diz talvez quer dizer sim." Dito de outra maneira, seja a mulher neutra, resistente ou hesitante, ela está sempre de acordo. Quer dizer que a liberdade das mulheres é totalmente negada, que lhes é negada toda autonomia sexual. O que ela exprime não é ouvido, mas percebido em função do desejo masculino. Num caso extremo (mas de fato normalmente), um desejo positivo de sua parte é percebido como ambíguo, como um desejo recusa, uma submissão e não uma escolha.
Sobre isso, uma amiga contou-me uma história exemplar. Ela estava com um homem com quem ela queria fazer amor, e esse desejo era compartilhado. Mas aparentemente seu desejo era um obstáculo para a realização dos desejos de seu companheiro. Era preciso haver um simulacro de recusa. Assim ele a agrediu, bateu, injuriou, gritando: "Você tá gostando, suja, tá gostando!" Não era preciso que essa mulher tivesse vontade de fazer amor, não, era preciso que ela tivesse vontade de ser violada. Seu desejo devia ser transformado em submissão a esse homem como a tantos outros cujo prazer é indissociável de uma vontade de dominação.
Voltando à minha história, recusei, portanto, a princípio, subir no carro, sob vários pretextos, na realidade para não oferecer a meu interlocutor essa arma dupla: a possibilidade material de abusar de mim num grau qualquer e o pretexto de minha cumplicidade.
Mas o código que eu tinha utilizado, quer dizer, o pretexto material, implicando a ausência de obstáculos morais, implicando, portanto, minha liberdade, se voltava contra mim, uma vez usado pelo homem. Tendo compreendido perfeitamente o sentido real de minha resistência respondeu a essa objeção subjacente invocando ele também minha pretendida liberdade, o que era negar o fundamento de minha objeção. A ilusão da liberdade em uma mulher (a negação de sua opressão) torna-se para a sociedade um meio de chantagem contra ela, para mantê-la em seu estado de opressão. Sua chantagem constituía em ridicularizar meu medo de ser tratada como objeto sexual. "Não vou te comer", quer dizer são medos de menininhas. Os homens não são "maus". Dito de outra maneira: você é livre. Se você entra no meu carro, você realiza essa liberdade. Se você não entra, você está se privando desta liberdade, obedecendo a tabus ridículos.
No fracasso das relações entre homens e mulheres, as mulheres são sempre as primeiras a serem acusadas. Se elas recusam relações alienadas, são consideradas como inocentes (quer dizer ridículas) ou pequeno burguesas, e se elas são vítimas de relações alienadas, elas ainda são culpadas, porque deveriam ter desconfiado. A esse propósito, o rapaz em questão (chamemo-lo JH) censurou duas vezes minha ingenuidade: antes do estupro, porque eu era boba de não querer subir no seu carro, e depois do estupro, porque eu deveria ter desconfiado.
É preciso verdadeiramente denunciar a chantagem masculina que consiste em chamar "pudor ofendido" ou "repressão" as reações femininas a uma agressão disfarçada de "liberdade sexual". Entre muitos pseudo-revolucionários, principalmente, a liberdade sexual se confunde com a liberdade exclusiva dos homens, às custas da das mulheres. É muito comum que os estudantes que se dizem revolucionários vaiem as estudantes, sob o pretexto que são "pequeno-burguesas". Nunca os vi agredir dessa maneira "pequenos-burgueses." As mulheres, por causa de seu sexo, são mais agredidas e ridicularizadas que qualquer homem por sua cor. Não há pior racismo que o "sexismo". Quanto às reações de "pudor ofendido", elas não são mais que a expressão de uma humilhação real. devida a um desprezo real. Isso nunca é dito.
O estágio primário da emancipação de uma mulher é de fazer de conta que é livre ou, mais exatamente, é tentar sê-lo é experimentar a realidade até que a ilusão se desfaça.
Acreditei no discurso hipócrita desse rapaz, acreditei que estava livre, porque eu queria sê-lo, queria poder entrar no carro de um desconhecido só com a intenção de ir tomar um café e que essa intenção fosse tomada pelo que ela era.
Nós chegamos ao Châtelet, e lá JH entrou numa rua de grande circulação. Como eu me inquietava quanto ao lugar onde íamos, JH me repetiu que ele conhecia um café um pouco mais adiante. No caminho ele começou a jogar o "jogo da verdade", ao qual me prestei sem prever o uso (entretanto já de se esperar) que faria dele. Naturalmente ele começou a fazer perguntas de ordem sexual que no princípio não me encabularam, mas depois se tornaram francamente obscenas. Era o segundo indício de sua capacidade de agressão. Era em si uma agressão sexual. As palavras que despem dando nomes são uma maneira como uma outra de se apropriar do corpo do outro. Isso também é estupro. Aliás, foi o que eu lhe disse, crendo-me obrigada a explicar minha recusa em responder. (A quantas explicações estão condenadas as mulheres para tentar vencer a má fé masculina?)
Nesse momento notei que esse homem não me deixaria "tranqüila". Mas nem um instante, até o último momento, pensei que ele quisesse realmente me violar. Disse-lhe, sempre esses pretextos, que começava a ficar tarde e que eu preferia voltar imediatamente. Pedi-lhe que me deixasse na próxima esquina. Ele disse que já era tarde demais, que não dava mais jeito de parar, que já estávamos chegando. Parou num lugar qualquer em Joinville, em frente a uma casinha bastante isolada das outras. Entrei com ele, pedindo-lhe que me levasse de volta rapidamente.
Que eu tenha sido ingênua não vem ao caso.
Pôs alguns discos, sentamo-nos diante da mesa, ofereceu-me uísque. Falamos indiferentemente de filmes e discos. Pôs a mão no meu joelho. Retirei-a. Recomeçou. Nova recusa. "Por que você não quer? Não quer namorar?" "Não, eu disse, não tinha essa intenção." "Então não devia ter vindo", me respondeu. Fortificado com esse argumento, recomeçou cada vez mais. Fiquei com raiva. "Bom, bom, me disse, eu paro, mas venha sentar-se na cama, é mais confortável." Sentei-me na cama. Era completamente idiota de minha parte. Talvez eu tivesse essa reação que se tem diante do perigo, fingindo que ele não existe para conjurar o malefício. Parecia-me que um medo claramente expresso ou recusa demais poderiam excitar ainda mais sua vontade de poder. De toda maneira, dada sua decisão, isto nada mudaria. Logo que sentei na cama, ele me derrubou segundo o método clássico e procurou beijar-me à força. Debati-me, levantei-me, peguei minhas coisas e fugi para a porta. Logo ele me alcançou, carregou-me nos braços e jogou-me na cama. Beijou-me de novo à força (não menciono os gestos anexos). Então mordi-lhe o polegar. Meus dentes se enfiaram interminavelmente. Levantou-se furioso e contemplou seu dedo aberto e sangrando.
- "Suja! Por que você me fez isso?"
Intelectual como sempre, expliquei que estava só me defendendo. O que não consigo compreender é por que a gente insiste em responder à má fé.
"Você não tem o direito, respondeu-me. Afinal, não te fiz nada. Não te machuquei.”
Queixava-se de sua dor, enquanto me sacudia e me batia. Depois ameaçou-me mais ou menos nesses termos: "Agora, minha pequena, se você tenta me resistir um só segundo, te arranjo. (Levo um murro no queixo.) Posso muito bem te furar a bochecha com meu cigarro. Posso te desmaiar. Sou o mais forte", etc.
Nesse momento senti-me desesperada. Pensei que ia desandar a chorar. Ele disse algo como "vê se não começa a choramingar agora, que não vai servir pra nada". Retomei-me e, em desespero de causa, tentei pregar-lhe a moral. Tentei também fazê-Io compreender que não era, "interessante" para ele fazer amor nessas condições. (Acho particularmente abjeto que uma mulher deva ter que se preocupar com o interesse de um homem que quer violá-la para persuadi-lo a que não o faça.)
JH respondeu-me que tinha decidido me "possuir" desde que me tinha visto, e que o faria. Ponto.
Procurei com o olhar no quarto algo que pudesse me ajudar, mas nada vi. Nem mesmo teria tempo de pegar o telefone. Gritar não ia valer de nada, dado o isolamento da casa. Disse a mim mesma que, se eu me debatesse o tempo todo, ele não teria possibilidade física de me violar. Mas pensei que, na pior das hipóteses, estava nas mãos de um maníaco capaz de me matar, e, na melhor, levaria uma surra, que comportaria, além do inconveniente da dor, o risco de ter de me apresentar à minha família tumefeita e coberta de marcas azuis. Seria preciso explicar em que situação me metera ("mas, pobre criança, também que idéia de..." etc.), seria eu quem seria considerada culpada. A vergonha sobre mim.
Tudo o que entrevi em alguns segundos pareceu-me mais terrível que me entregar e esperar que aquilo acabasse. Não queria morrer nem ficar com marcas inúteis. O estupro, de todo jeito, pela violência e pela humilhação, já estava consumado.
Nesse momento pensei no risco - especialmente naquele dia - de ficar grávida. Disse-lhe. Curiosamente, respondeu-me:
- Mas é claro que vou tomar cuidado, não sou um menino!
Aparentemente ele pensava que tinha ainda uma honra a reabilitar a meus olhos, como se em minha recusa pudesse haver o menor lugar para sua vantagem.
O caso durou trinta segundos. Um amigo a quem contei a história me perguntou, para minha grande surpresa, se eu tinha gozado! O que parece provar que para ele não havia uma diferença profunda entre violar e fazer amor. Esse comentário vale para todos os maridos que se queixam da frigidez de sua mulher e continuam a exigir o cumprimento do "dever conjugal “. A forma habitual de relações sexuais entre nossos avós e nossas avós era pura e simplesmente o estupro.”Cada vez era um suplício", dizia minha avó à minha mãe, que aprovava a comparação. O estupro, conjugal ou não, é ainda a forma típica, realizada num ou noutro nível, das relações entre os sexos.
Ele não "tomou cuidado". Eu lho disse, ele o negou, sempre atento à sua honra. Naquele mês tive um atraso muito grande. Passei muitos dias na angústia, a me perguntar se teria o direito de abortar legalmente naquele caso (não tinha), como poderia provar o estupro (tente... ), etc. Agradeço à sorte, foi só um atraso.
Quando já estávamos vestidos, JH teve a cara de pau de se mostrar decepcionado, perguntou-me se verdadeiramente eu não tinha achado agradável e, quando manifestei - prudentemente - minha intenção de voltar para casa, teve a cara de pau ainda mais monstruosa de me perguntar se eu não queria passar a noite com ele. Sempre essa mesma negação, formulada ou implícita, da realidade do estupro. Sá sentia ódio por ele e uma vontade terrível de brigar. Foi nesse momento que mais sofri, tendo que conter em mim tudo o que queria cuspir-lhe na cara, sempre prisioneira da chantagem da lei do mais forte. Refugiando-me irrisoriamente na intelectualização, tentei "instruir-me". Fiz-lhe perguntas sobre ele. Deu-me a informação contraditória de que sempre agia assim com as moças, elas estejam ou não de acordo, mas que "a maioria aceitava". Depois me avisou com o ar contente de si que em todo caso manteria a promessa de levar-me de volta. No carro justificou (?) o estupro pela "inferioridade natural das mulheres". Só abria a boca para fazer declarações cada uma mais acabrunhante que a outra. Quando me deixou em Paris, eu tinha tido de tal maneira que reprimir minha agressividade que, paralisada, nem consegui bater a porta do carro.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Seminário contra lesbofobia


O núcleo de Viçosa da MMM, em parceria com o grupo universitário LGBT Primavera nos Dentes, realizará no dia 19 de setembro o seminário "ELAS: rompendo a invisibilidade e o preconceito". O seminário que contará com a contribuição de militantes da MMM e da ALÉM (Associação Lésbica de Minas) discutirá a realidade das muheres lésbicas e as formas de combate ao preconceito e à opressão vivenciados por elas.
Tudo isso vai acontecer na Universidade Federal de Viçosa, sala 06 do CEE às 14h.
Logo após, vai rolar uma baladinha lá na Ponto G.

Esperamos todas lá!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Jornal da Ação de 2010!

Meninas!
O jornal da ação de 2010 já está pronto!!!
Nos próximos dias deve chegar nos estados, mas podem acessar também pela página da MMM!
www.marchamundialdasmulheres.org

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!!!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Encontro da Batucada de Mossoró


Neste último sábado, 15, a Batucada Feminista de Mossoró realizou encontro com a participação de 25 meninas.
No encontro debatemos sobre a 3a Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres que acontecerá em 2010. Pela manhã fizemos uma oficina de ritmos e ensaiamos alguns deles com palavras de ordem. À tarde vimos o vídeo da grande ação de 2005. Depois lemos e discutimos os textos sobre os 4 eixos da Ação 2010: Violência contra as Mulheres; Autonomia Econômica das Mulheres; Bens Comuns e Serviços Públicos e Paz e Desmilitarização. Conversamos ainda sobre a ação aqui no Brasil, que será uma Marcha de 10 dias, entre Campinas e São Paulo.
Sobre as espectativas para esse grande evento, destacamos: a ansiedade para a chegada do dia 8 de março, quando será dado início à grande Ação 2010; a preparação física para garantir a tranquilidade durante a grande caminhada em todos os dias; Divulgar no cotiadiano a Marcha Mundial das Mulheres; todas as pessoas conhecerem os motivos que levou cada uma das mulheres estar presente nesse grande momento de 2010; e, enfim, participar do evento tornando visível e irreversível nossa luta e irreverência.


Seguiremos em Marcha até que todas sejamos Livres!!!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Nota de repúdio!

Nota de Repúdio.


Nós, mulheres representantes de diversos movimentos sociais, repudiamos a Editora Solcat Ltda pela publicação do guia “Rio for Partiers” e a decisão do Juiz José Luis Castro Rodriguez, da 21ª Vara Federal, que negou o pedido da Embratur encaminhado pela Advocacia Geral da União para que esse guia fosse retirado de circulação. O guia estimula a prostituição classificando as mulheres cariocas em diferentes tipos e instruindo o leitor sobre como garantir relações sexuais com elas. Dentre os tipos classificados encontram-se mulheres que são consideradas “máquinas de sexo” e o guia explica como identifica-las.


O referido guia reduz as mulheres à mercadoria, um produto a ser comprado e usado por turistas em sua visita ao Rio de Janeiro. Na venda de sexo, o comprador, homem, se encontra numa posição de poder, na medida em que a mulher é considerada apenas um objeto, para a satisfação exclusiva do seu comprador. Nesta posição de submissão, essas mulheres são expostas a diversos atos de violência.

Sabemos que muitos países têm a prostituição como estratégia de desenvolvimento pelo alto lucro gerado. Repudiamos a existência do turismo sexual e consideramos vergonhosos paises que estimulam este “turismo” onde se naturaliza a compra e venda de mulheres em prol do lucro de multinacionais, companhias aéreas, de turismo e até mesmo os governos.

Reconhecemos a postura da Embratur como correta e repudiamos a atitude machista do Juiz José Luis Castro Rodriguez em negar a retirada de circulação do guia sexual que representa a mercantilização, exploração das mulheres e incentivo à submissão das relações humanas ao dinheiro. Nós mulheres organizadas lutamos diariamente contra a mercantilização de nossos corpos e nossas vidas. Reafirmamos: somos mulheres e não mercadoria!

Sindicato dos Servidores das Justiças Federais - Sisejufe RJ

Marcha Mundial das Mulheres

Juventude do PT-RJ

Comissão Defesa Direitos da Mulher da ALERJ

Articulação de Mulheres Brasileiras

Movimento de Mulheres de Cabo Frio

CEDIM

Secretaria de Mulheres do PT-RJ

Secretaria de Mulheres do PCdoB

União Brasileira de Mulheres

União Estadual dos Estudantes

DCE PUC-Rio

SASERJ

Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos

Casa da Mulher Trabalhadora - CAMTRA

União Nacional dos Estudantes

Secretaria da Mulher Trabalhadora CUT-RJ

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mulheres no volante!

O núcleo da MMM de Juiz de Fora/MG participa da organização do Mulheres no Volante, um Festival de Cultura Feminista!!!
Olhem que legal: http://mnv2009.wordpress.com/
Será que a gente consegue organizar em outras cidades???

domingo, 26 de julho de 2009

Da onda feminista: "I choose my choice"

Existem vários blogs de mulheres que escrevem seus textos com uma perspectiva feminista. Esse texto "Da onda feminista 'I choose my choice' foi escrito pela Marjorie, do blog http://marjorierodrigues.wordpress.com/.
Tem vários elementos do debate que fazemos sobre mercantilização do corpo e da vida das mulheres. Aproveitem!

Da onda feminista “I choose my choice”
Julho 24, 2009
Existe um episódio de “Sex and the city” que eu acho muito emblemático. É uma pena não tê-lo achado no You Tube — então vou ter de fazer a chatice de narrá-lo.

É quando Charlotte (para quem nunca viu a série, é a personagem que encarna o estereótipo da mocinha no aguardo do príncipe encantado. Afinal, as personagens de SATC não são redondas. São tipos. Alguém pode — e com certeza vai — me contestar, mas acho que muito raramente alguma delas fazia algo que saísse do tipo que deveria representar) anuncia para as outras três que está pensando em largar o emprego de curadora numa galeria (um emprego de que ela gostava muito, diga-se de passagem), já que vai se casar dentro de alguns meses e quer ter um filho. A gravidez nem veio ainda, mas ela quer garantir que irá se dedicar ao bebê em tempo integral. Diante da cara de estranhamento das outras, Charlotte diz que também adoraria ter tempo para se dedicar a coisas como cursos de cerâmica e bordado. As caras surpresas continuam. Ela então estufa o peito e acrescenta, claramente inventando isso na hora: ”talvez também algum trabalho voluntário! Tem uma organização que trabalha com crianças com câncer…”.

No dia seguinte, Miranda (o estereótipo da executiva workaholic sem coração) está se arrumando para o trabalho, quando recebe um telefonema. É Charlotte, puta da vida: “não gostei nem um pouco da maneira como você me reprimiu ontem”. Miranda: “hã?”. Charlotte, mei’ histérica: “eu vi como você olhou para mim quando eu disse que estava pensando em abandonar a galeria. Você estava me julgando, como se eu fosse uma imbecil! Mas eu vou te falar uma coisa: o feminismo era pela liberdade de escolha!”. Miranda: “feminismo? Quê? Charlotte, são 7 horas da manhã”. Charlotte continua, já aos berros: “É isso mesmo! Eu escolho as minhas escolhas! Eu escolho as minhas escolhas!”. E é muito forte a cena. Ela repetindo mil vezes, a boca colada no telefone: “I choose my choice! I choose my choice!”

Só que aí… Pá. Vem o arremate da cena. Que é o que eu acho emblemático. Calma, Miranda responde: “OK. Só não venha dizer que eu não avisei, caso Trey [o noivo] te deixe e você, com uma mão na frente e outra atrás, perceba que tudo o que tem é uma tigela de cerâmica com o nome dele”. Eu acho essa fala fantástica porque contextualiza a escolha. Mostra que o contexto em que uma determinada escolha é tomada a dota de um significado particular.

Veja que a Miranda não condena a escolha em si (no final do episódio, ela mesma liga para o chefe fingindo que está doente só para ficar em casa assistindo a um programa de culinária. Algumas temporadas depois, ela decide não abortar, se casar e se mudar para o subúrbio. Ou seja: também ela tem o desejo de se dedicar a um filho). Miranda apenas se preocupa porque, tomada num contexto de diferença de poder entre homens e mulheres, a escolha de Charlotte pode colocá-la numa posição de vulnerabilidade. Econômica e emocional. Vulnerabilidade que a Charlotte não escolheu, mas que pode vir de brinde com sua escolha. Logo, não adianta ser sujeito na hora de escolher, se o contexto te coloca numa posição subordinada depois. O féladaputa do contexto pode te transformar em vítima da sua própria escolha.

Apesar da SATC ter um monte de defeitos e, ao longo das temporadas, ter ficado cada vez mais machista, eu gosto muito desse episódio — e sempre achei que estivesse na cara que a razão está com a Miranda. Mas, pelo visto, a interpretação de muita gente foi diferente. O “I choose my choice!” acabou virando uma espécie de bordão nos EUA. Ele passou a representar a seguinte linha de pensamento (que, ei, obviamente é anterior a SATC, não pensem que estou dizendo que o episódio gerou o raciocínio):

Se eu escolhi fazer tal coisa, o ato de escolher faz de mim automaticamente um sujeito.

Por exemplo: “se eu escolhi ser prostituta/stripper/atriz pornô/whatever, se eu fiz isso porque quero, então eu não sou uma mulher objetificada. Eu sou sujeito das minhas ações e quem disser que estou numa posição de passividade ou vulnerabilidade está errado. É paternalista dar a entender que eu sou burra, não sei o que faço ou sou apenas um joguete do patriarcado”.

Eu acho esse ponto de vista TÃO perigoso. Primeiro, porque reduz o feminismo a essa hiper-relativização: I choose my choice, cada um com sua escolha, pronto e acabou, ninguém mete o bedelho na vida de ninguém. É mais ou menos como o pessoal que, numa leitura super torta de algumas obras da antropologia, sai dizendo por aí que a gente não pode condenar a mutilação genital feminina ou a burca ou o infanticídio ou seja lá o que for, porque “assim é a cultura deles”. Ou “assim é a religião deles”.

Segundo, porque coloca a pessoa que tenta contextualizar as coisas na posição de vilão. “Vocês é que estão me reduzindo, ao dizer que sou manipulada”‘. O que é uma acusação simplista e tacanha. Contextualizar a escolha, dizendo que ela pode levar a uma situação de vulnerabilidade, não é negar o fato de que escolher é uma ação. Nem dizer que o autor da escolha não pense por si. Está-se apenas inserindo esta escolha em um mundo e, então, refletindo quanto à influência do mundo sobre a escolha e o efeito dessa escolha no mundo.

Uma das coisas que eu sempre digo (aliás, quantas mil vezes eu já escrevi isso no blog? Vocês já devem estar de saco cheio) é que nada acontece no vácuo. A camiseta “100% branco” não seria racista no vácuo. Mas, num país com histórico de escravidão e discriminação, é. Outro exemplo: Se o “lingerie day” não tivesse acontecido num mundo patriarcal, em que as mulheres ainda são vistas como enfeites para o deleite dos homens; se não houvesse uma esmagadora pressão para que nós sejamos bonitas e sexies e agrademos os homens; se não houvesse tanta gente que ainda pensa que o certo é que homens mandem e mulheres obedeçam… Bem, querid@s, então aí sim a campanha não seria machista. Fora de contexto, seria mesmo pura diversão.

Mas ela aconteceu num mundo onde tudo isto é realidade. Onde já há uma constante apresentação de corpos femininos como objeto sexual somente (inclusive desmembrados, instrumentalizados, reduzidos apenas às partes erógenas: as únicas que “importam“) — o que induz a uma desumanização da figura feminina. Para cometer violência contra alguém, é necessário coisificá-lo, desumanizá-lo, torná-lo irremediavelmente distante de você. Daí o bombardeamento de imagens que reduzem a mulher a um corpo . A um ser humano incompleto. E não há paralelo para os homens. Pelo menos não o homem ideal, branco, hetero, classe média. Com o corpo do homem gay ou “feminilizado”, a coisa já é diferente. É por isso que a gente diz que, quando há objetificação numa ponta, há violência doméstica e estupro na outra. Logo, embora escolher participar da brincadeira seja uma ação (e eu não acho que nenhuma das meninas que participaram sejam burras ou não saibam o que estão fazendo), isso acaba te jogando numa posição de vulnerabilidade. Posição que você não escolheu, mas vem de brinde.

Voltemos à Juliana Paes. Ela sem dúvida escolheu “fazer da bunda o seu logotipo”, como disse o Marcelo Tas. E sem dúvida tirou vantagens com isso — dinheiro, fama, whatever. E aí a posição que ela ocupa acaba sendo retratada, para as demais mulheres, como uma posição de poder. Olha como ela é poderosa. Só que é um poder restrito. Vulnerável. No dia em que a bunda cair, já era. No dia em que ela parar de despertar o desejo masculino, já era. E, uma vez tendo sido a bunda, sempre será a bunda. Mesmo que ela queira se distanciar dessa imagem, mesmo que queira demonstrar outros tipos de talento, haverá Josés Simões e Marcelos Tas dizendo a ela: “não, você não pode. Não era você quem mostrava a bunda? Como é que você quer que te levemos a sério?”. Juliana acaba vítima da sua escolha.

Se você aderiu à campanha lingerie day, você assinou embaixo de uma campanha com proposta machista. Cabô. Quando eu coloco meu nome num abaix0-assinado, quando me junto a uma passeata, eu estou engrossando o caldo. Não adianta dizer: “ah, mas eu participei por outros motivos”. Ou: “eu quis participar, então, se eu sou sujeito e não objeto, isso deixa de ser machismo”. O fato do objeto ter escolhido ser objeto não elimina o contexto de objetificação.

Eu não posso botar nas coisas o significado que eu bem entender e achar que, se eu ressignifiquei individualmente, isso automaticamente passa a valer no mundo. As ressignificações são sempre coletivas — portanto, lentas. É preciso que o mundo mude para que o significado e o efeito da escolha também mudem.

Como as ressignificações têm de ser coletivas para surtirem alguma transformação efetiva, é por isso que nós estamos o tempo todo nesse esforço de desconstrução das coisas. Convidando os outros a reparti-las em pedaços, esmiuçar. Entender o que está errado para daí construir uma proposta nova, etc.

Quando faço um post dizendo “olha que comercial machista”, por exemplo, não estou querendo ensinar ninguém. Não estou me colocando numa posição superior, como se eu estivesse livre de influências patriarcais e minha missão no mundo fosse evangelizar os pobres coitados que continuam cegos, marionetes do sistema. Eu estou é fazendo um convite: “que tal nós (todas pessoas que nasceram e cresceram dentro de um patriarcado e não conhecem outra realidade) tentarmos descodificar, juntos, essa mensagem?”. Porque eu sei que, sozinha, eu não consigo mudar porra nenhuma.

Só que o problema de desconstruir as coisas é que a gente vai derrubando, também, os próprios paradigmas. A gente abandona certezas, sai da zona de conforto — e não entra em outra. Pelo contrário: o que se oferece a partir daí é um desafio. Um problema a ser resolvido. E é claro que isso é desesperador.

Me explico. Eu sempre digo que “Eros e Civilização”, do Marcuse, e “A sociedade do espetáculo”, do Guy Debord, são os livros que mudaram a minha vida. Acho que eu não os teria entendido não fosse por uma aula em que o professor mastigou a mensagem: você pensa que é livre, mas não é. Você vive é um simulacro de liberdade. Ele não disse nessas palavras, claro. E eu jamais seria capaz de repetir ou mesmo resumir a aula aqui. Mas a coisa descambou para um quase interrogatório. Os alunos dizendo: “mas, péra aí, e quando eu faço X? E quando eu escolho Y?”. E lá ia o professor mostrar onde o Marcuse apontava que não, bobinho, também isto não é um ato completamente livre. Foi assim até os alunos ficarem sem exemplos. Sem ter mais o que perguntar. Todo mundo deprê. Eu saí da aula ARRASADA. Com vontade de me jogar na frente de um carro.

Mesma coisa com “O segundo sexo”. Você acha que eu fiquei feliz ao terminar de lê-lo? Tipo: “eba! Agora vou ser feminista e fazer um monte de amiguinhas”? NÃO, PORRA, EU FIQUEI TRISTE PRA CARALHO! Desmoronou tudo: o mundo não é para mim. Olha o tanto de mitos e restrições que me aplicam só porque nasci com dois cromossomos XX. Isto significa que terei de me esforçar em dobro para conseguir metade do reconhecimento de quem, por mero acaso, nasceu XY. É ou não é para ficar de bode?

Vocês acham que eu gosto de reclamar? Vocês acham que eu gosto de ficar apontando machismo aqui, ali, em todo lugar? Vocês acham que eu gosto de constatar que nós não somos livres? Claro que não. Eu queria ser livre de fato, oras. Eu queria poder estar falando de outra coisa. Eu não queria estar passando raiva, não.

É por isso que eu gosto tanto da metáfora da colher de chá: “estamos aqui tentando esvaziar o oceano com colheres de chá”. Porque ela carrega esses dois lados. É ao mesmo tempo uma motivação e o reconhecimento de que há uma imensidão de trabalho a ser feito. Maaaaas… Pode ser que a gente não consiga nunca. Pois é. É bonito e, ao mesmo tempo, deprê.

Vou cagar psicologia barata aqui, mas tenho a impressão de que as mulheres do ”I choose my choice” estão como naquela fase de negação dos doentes terminais. Dói reconhecer a própria falta de poder. Dói perceber que se tem uma posição inferior na sociedade. Dói perceber que a nossa esfera de ação é limitada. Aí uma das saídas é enganar a si mesma, fazendo um esforço de abstração para transformar vulnerabilidade em não-vulnerabilidade. Passividade em ação.

(Já tô vendo que essa minha frase vai causar alguma polemiquinha, mas é a interpretação que eu consigo fazer no momento. Nunca custa repetir que nada aqui é definitivo, tudo é transitório, etc)

O poder feminino (pôr-se como objeto a la Juliana Paes) é um falso poder. E o poder feminista é algo que ainda não existe. Então tenho a impressão de que as mulheres do “I choose my choice” se ressentem porque acham que estamos tentando tirar algo delas. Queremos retirar delas a nesguinha de liberdade que elas acham que têm para oferecer-lhes um projeto de liberdade que pode nunca ser concretizado.

Eu sei que soa feio assumir que contribuiu para o patriarcado. Eu sei que é feio parecer passivona. Mas o fato é que, apesar de pensantes e inteligentes, somos tod@s human@s. Vocês lembram do meu post sobre depilação? Se não lembram, assumo aqui de novo: eu jamais sairia de casa de saia, se minha perna não estivesse depilada. Não teria coragem de fazer sexo se minha virilha não estivesse depilada. Não é porque eu não goste de mim com pêlos, é uma questão de costume. Mas é que eu tenho medo de chacota. É bobo, eu sei. A mensagem patriarcal me subiu à cabeça. Também já fiz de tudo para agradar namorado, como se o contentamento dele estivesse acima do meu. Já agi como se sexo fosse uma maneira de conseguir o que eu queria. Enfim, já fiz N coisas só porque “é assim que as mulheres devem ser”. E continuo fazendo. Às vezes consciente disso, às vezes não. Mas assumo: EU SOU UMA PASSIVONA, em muitos aspectos. Desconstruir isso é um processo. Lidar com o fato de que não sou livre o quanto já pensei que fosse ou gostaria de ser, também.

PS – E, mesmo depois de passar horas escrevendo isso aqui, eu nunca consigo destrinchar as coisas tão bem quanto ela.